quinta-feira, 19 de abril de 2012

Ontem niver do Príncipe hoje do Rei

ORIGINALMENTE PUBLICADO NO DIA 25/12/2009 NO http://www.fotolog.com/pedromarianoavoz (não fiz nenhuma alteração)

Gostaria de publicar aqui uma entrevista com o "Rei", que esse ano completou 50 anos de carreira. Mas eu não consigo entrevistar nem o Pedro, quem dirá o Roberto Carlos, que ainda tem o detalhe (além da música... rs), de ser exclusividade da Rede Globo.

(Deixo claro que só tentei entrevistar o Pedro uma única vez. Foi no final de 2005, quando o Rodrigo chegou a pensar em criar um site pra ele. Enviei as perguntas através da produção, mas ele nunca respondeu. Não foi falta de eu cobrar. O site acabou não se concretizando e ficamos quites. Não considero o fotolog um “site”. 
Penso que ele não curtiu a entrevista. Direito que lhe é reservado, já que eu não sou profissional do ramo. Portanto, não reclamei. Talvez ele nunca tenha acreditado na minha [boa!] intenção. Nunca toquei nesse assunto diretamente com ele. Mas já foi, é passado. Só citei para dizer que não esqueci.)

Voltando... Resolvi então fazer uma "matéria" com Sonia Batista, uma fã do Roberto Carlos. Quero falar um pouco sobre suas aventuras, tentando entender a fidelidade e paixão por um artista que já dura há anos. 

Ela é tia da Vanessa Jordão, que é uma pessoa que conheci por conta do Pedro. Um dia estive no apartamento da Sonia e vi dois quadros com ela ao lado do Rei... Foi o motivo suficiente pra me simpatizar com ela. Não que eu seja "fã" do Roberto (respeito e admiro sua trajetória), mas por sermos fãs, ela do Roberto Carlos e eu do Pedro Mariano. Roberto Carlos é de 19 de abril e Pedro Mariano de 18 de abril uma coincidência interessante Roberto pode ser o “Rei”, mas meu príncipe é o Pedro. 
Ela acompanha o Roberto desde 1963/64. Partindo do princípio que o primeiro grande sucesso do Roberto, "Splish Splash, é de 62, e logo em 63 veio "Parei na Contramão", ela não demorou a descobri-lo. 

Ser fã naquela época não era fácil. A primeira coisa que me surpreendeu ao conversarmos foi que ela demorou anos para ir ao primeiro show! 
Ela me disse que não tinha condições financeiras para poder assistir ao Programa da Jovem Guarda ao vivo, mas que durante os dois anos e meio em que o programa foi apresentado pelo Roberto (de 22 de agosto de 65 a 18 de janeiro de 68), ela só perdeu um único programa, mesmo não tendo TV em casa. A grande colaboradora pra que isso acontecesse foi sua madrinha, que morava perto e deixava de assistir ao Silvio Santos pra que ela pudesse curtir a Jovem Guarda. 
Ela contou que perdeu um único programa porque logo após o almoço de um desses domingos a sua mãe precisava ligar para um tio que morava em São José do Rio Preto e pra isso (pasmem!) elas tinham que ir até a Estação da Luz, que ficava a 10 km da sua casa. E não bastava ir até lá e fazer a ligação. Era necessário solicitar a ligação e esperar duas, três horas para que ela se completasse. Então, por conta disso, quando elas retornaram para casa, o programa já havia terminado.
(Agora, meu espanto maior: quando se tem Internet, celular, altas tecnologias, fica difícil voltar ao passado e ver a dificuldade de comunicação daquela época. Eu me refiro à comunicação rápida, né? Porque acho que a “comunicação" em si piorou nos dias de hoje. Mas esta é uma questão filosófica, social, que não cabe aqui.) 
Uma coisa que sempre tentei entender é o fenômeno Roberto Carlos. Na realidade todo fenômeno é difícil de entender, são muitos fatores, e inclusive que fogem do racional. Roberto Carlos é considerado o primeiro ídolo de grande repercussão da juventude brasileira.

(essas fotinho são os presentes que as amigas davam pra ela)


Ruy Castro conta em seu livro, “Chega de Saudade”, que os primeiros fãs-clubes surgiram no Brasil no final da década de 40. Os programas de rádio tinham platéia, o glamour nessa época tava ali. Era a forma de aproximar os artistas do público que só os conheciam pela voz. Mas, fazer parte do auditório das rádios era privilégio para poucos. E também havia os bares da boemia, mas tudo isso, só nos grandes centros.
Surge a TV no começo dos anos 50 e com ela uma nova forma de comunicação, claro que tudo não acontece de uma vez. Dez anos após, nos anos 60, quando surge o vídeo tape, a TV ainda era para poucos, uns 3 milhões de telespectadores frente a uma população de 70 milhões. Na década de 60 é que os programas musicais de auditório ganham força, principalmente depois dos Festivais de Música. Isso fez com que um número maior de pessoas pudesse conhecer a pessoa por trás da voz que ouviam nas ondas do rádio.
Pra mim, a formação dos primeiros fãs-clubes, a TV e seus programas musicais, me parece, foram os responsáveis por transformar os artistas em ícones, ídolos, numa proporção sem tamanho, em verdadeiros mitos, divindades de carne e osso. A mídia com certeza ajudava nisso, passando para o público uma idéia de que a vida do artista é uma vida glamourosa.
Isso tudo acaba provocando a privação do contato mais próximo do público com o artista. Pra mim essa privação aumenta mais ainda a idolatria. Ela disse que no caso do Roberto não tinha jeito, na época da Jovem Guarda se as fãs pegassem o Roberto ele não sairia vivo. (Acho que ai teriam certeza que ele é humano como qualquer outro mortal – rs rs).


Hoje com toda tecnologia, há uma oferta enorme de vários candidatos a ídolos. A tecnologia também é responsável pela diminuição considerável da distância entre fã e artista.
Os blogs, twitters estão ai pra provar que o artista é ser humano comum, comem, dormem, até assistem tv (rs rs), tem compromissos que nem sempre estão afins, mas faz parte do ofício. Sua arte é trabalho. 
O trabalho deles pra nós é lazer, diversão e mexe com nossas emoções. Talvez esteja ai um dos motivos para olharmos o artista com diferença em relação a outros profissionais. Por eles lidarem com nossas emoções, alguns fãs ainda enxergam em alguns artistas os deuses, e talvez seja essa parte irracional que não conseguimos entender.
Realmente esses fenômenos não se explicam tão facilmente. Até na família do Rei, junto às pessoas mais intimas, houve mudança de perspectivas.
Em uma revista de 1971, “Cartaz” inteirinha dedicada à trajetória de Roberto Carlos, aonde entrevistaram pai, mãe, irmã, amigos. Tem um depoimento da irmã Norma, em que ela diz que a ficha do sucesso do irmão foi cair quando ele voltou do Festival de San Remo, (1968) e a família foi encontrá-lo no Aeroporto e ao vê-lo se aproximar ela diz que ali não estava mais o “Zunga” (apelido de família), era o ídolo Roberto Carlos que se aproximava. Disse que ele não mudou com a família, que inclusive ele sentia falta de estar com eles. E pedia que fossem visitá-lo já que pra ele era difícil sair de casa, a não ser para trabalhar, mas não teve jeito, mesmo com toda intimidade, o enxergaram como boa parte do povo brasileiro, como um ídolo.


Coisa de fã
Roberto Carlos aproveitou do sucesso e se arriscou na telona, em 1967, veio o primeiro filme “Roberto Carlos em ritmo de aventura”. A Sônia lembra que entrou sozinha na sala do cinema, e como na época você entrava e assistia a quantas sessões quisesse. (sessões corridas). Ela entrou a uma da tarde e só saiu às dez da noite (rs rs). Isso porque a sua mãe veio buscá-la. Eh! Paixão!

O primeiro show
O primeiro show que a Sonia assistiu do Roberto foi no começo da década de 70, ela não sabe precisar se 73 ou 74. Mas, foi no Clube Tietê. Naquela época a venda de ingresso era somente no local do show, e já se habituou, assim que abriam as vendas ela era uma das primeiras da fila, normalmente a primeira. Queria ficar sempre o mais próximo possível do ídolo. 
Terminava o show ele já entrava no carro e saia rapidamente. Nesse show no Tietê, não foi diferente, assim que acabou, ela viu uma porta na lateral do palco, se aproximou e avistou um carro azul no pátio, não muito longe dali, e nessa porta havia um tapume cercando, impossibilitando a passagem, mas ela viu que dava pra pular, chamou a amiga, carinhosamente apelidada de Baiana e disse: - Baiana, eu vou pular, vem atrás! - Pulou e correu, o carro já estava saindo, só deu tempo de chegar perto e ver que era o Roberto que estava lá dentro, acredita que ele levou um belo de um susto.

Um fato interessante admiração pelo ser humano Roberto Carlos
Em um outro show, no palácio das Convenções do Anhembi aconteceu um fato que ela não esquece. O show já estava começando e um rapaz entrou e sentou no chão do corredor, ela disse que ele foi discreto, não estava incomodando ninguém e de repente, os seguranças chegaram. Quem fazia a segurança do Roberto Carlos era uma empresa de segurança terceirizada, onde só tinha uns tipos grandalhões, uns “armários”, e, segundo ela, grossos. Eles se aproximaram do rapaz e já foram pegando-o pelo braço, no que o Roberto parou o show e pediu que trouxessem uma cadeira para que o rapaz pudesse sentar. (Vamos combinar, que delicadeza, não?! E quem ousa não atender ao pedido do Rei?)

O primeiro contato e a primeira foto

Vinte e quatro anos curtindo um ídolo e sonhando com o primeiro contato físico. Temporada no Anhembi, 1987. O show terminava e ela ficava por ali, esperando ele sair, pra vê-lo à distancia cercado por seguranças. Um dia ela não o viu sair e ficou ali e resolveu perguntar ao segurança que disse que o Roberto já havia ido embora. Ela disse que queria entregar um presente para ele e que estava difícil, queria saber se não havia um jeito. Na realidade ela demonstrou para o segurança que não estava acreditando muito nele.

Esse segurança a levou lá dentro, mostrou o camarim vazio, e disse a ela que o Roberto chegava sempre umas 4 horas antes do show, para evitar tumulto e tal e que se ela viesse cedo, antes do Roberto chegar, ele a colocaria dentro do Anhembi e que depois seria com ela, que ele não poderia fazer mais nada. Trato feito no dia seguinte ela voltou acompanhada da sobrinha, Fernanda e de um amigo, Silvio. Esperaram em frente ao camarim, e de repente, eis que surge descendo rapidamente as escadas, o Rei, que nem se assustou com a presença dela, ela é que sentiu o coração acelerar, e ficou ofegante, perguntou se poderia tirar uma foto, ele todo simpático, disse: - Claro! E na seqüência, virou para a sobrinha, uma criança, na época: - E você linda, vem cá! 
Foi nessa época também que ela acabou participando do Coquetel de lançamento do Primeiro Cd ao vivo do Roberto

Um mico

Em se tratando de relação fã e ídolo, acho sempre um grande mico o encontro nosso com eles. Vamos combinar que a gente tenta acompanhar os passos de nossos ídolos, sabemos bastante sobre eles, normalmente, só o que se refere à vida profissional. Então, pensemos assim, nós os “conhecemos”, mas eles em relação a nós, na maioria das vezes, não sabem nem de quem se trata. Só por isso é um miquinho básico. 



Antes do mico, a cara de pau (rs rs). Temporada no Ginásio do Ibirapuera, ela chegando de Chevette, acompanhada pela amiga “Baiana”, afilhado e a Vanessa, com oito anos. Já quase na hora do show começar, visualiza uma entrada de carros e joga o carro pra essa entrada – Vamos aqui mesmo! – (Detalhe) O estacionamento era exclusivo para os convidados tanto que se aproxima um segurança e pergunta: - Qual seu nome? Ela sem pensar: - Sonia Batista! O segurança confere a lista, não acha o nome (claro, né? kkk). E ela diz: - Tem que tá ai sim, pode perguntar pra Dona Laura (pra quem não sabe, mãe do Roberto). Como o show já estava pra começar o segurança nem complica a vida e deixa ela seguir, ela lembra que parou o seu carro do lado do carro da Carminha (Secretaria particular do Roberto, chique ela não?!). 



O mico foi durante o show, cadeiras estilo cadeiras de ferro de bar, aquelas vermelhas, brancas, que fecham, manja? Na época ainda não havia hábito de pessoas levarem faixas, e ela toma a iniciativa O fato é que ela subiu em uma dessas cadeiras, e já que sua amiga, a Baiana, se recusou de pagar o mico, seu afilhado subiu em outra e esticaram a faixa. O Roberto se surpreendeu e parou para ler. “Roberto, obrigado por mais essa alegria!” 17/05/1986. Partindo do principio que o tipo de cadeira nesse show não era adequado pra ficar em pé em cima dela, eles poderiam ter levado um tombo daqueles (rs rs) e ai o mico seria maior ainda.
As Rosas do Rei
Já é praxe ele distribuir rosas em seu show como forma de agradecimento ao carinho que recebe de quem está na plateia. A Sonia sempre no final dos shows se aproxima do palco para tentar pegar uma dessas rosas e entregar-lhe também algum presentinho. Certa vez, ele já a reconhecendo direciona uma rosa pra ela, mas a arrancaram da sua mão. Ela disse que a mulherada se estapeia por causa dessas rosas. Ele vendo que a arrancaram. Agachou, esticou o braço e disse pra quem estava por perto: - Essa, é dela! –(Que graça!) Ela guarda com carinho as rosas que foi pegando durante esses anos todos.


A história que a aproximará do Rei. 
Últimos meses de 1990 em mais uma temporada de shows do Roberto em São Paulo, como já foi dito, no final, ela se aproximou do palco para tentar pegar as rosas, e também para entregar-lhe um “presentinho”. Ele pega tudo que lhe entregam, e pelo visto guarda tudo, prova disso... 
Certa vez ela não preparou nada pra levar e ai decidiu na hora, tirou os brincos de pérola, enrolou com um de seus cartões de visita. No verso do cartão escreveu: “Esse presente é para Dona Laura”. E com guardanapo enrolou tudo como se fosse uma bala, e entregou a ele, que pegou e guardou no bolso.

No ano seguinte (1991), fevereiro, março, Roberto fez uma temporada no Canecão, ela decidiu ir ao Rio todo final de semana para assistir aos shows. Pediu para uma amiga comprar os ingressos, a amiga compra os ingressos assim que eles começaram a serem vendidos. 

Descobri que não é de hoje que boa parte dos melhores lugares não são colocados à venda. são disponibilizados para produção, patrocinadores. E, naquela época não era diferente. Ela contou que a primeira esposa do Roberto Carlos, Nice, tinha uma atitude interessante, fazia questão de ficar bem mais pra trás, dizia que a frente é pra ser dos fãs, já que era o momento que eles poderiam chegar mais próximo do ídolo.

Ela ficou inconformada e impaciente com o lugar que comprou. Como chegou cedo para o show, ficou observando até ver um rapaz que ela imaginou que trabalhasse na produção. Se aproxima e questiona. – Por favor, eu fui a primeira a comprar os ingressos assim que abriu, pedi o melhor lugar da casa, e me deram ali atrás e eu estou vendo que tem lugar mais à frente, o que faço pra poder sentar ali na frente? Nem que fosse apenas uma vez e reforçou que pagava.. Vendo a insistência dela, pasmem! Ele diz a ela pra ir atrás do palco e procurar pelo Beleza! (Vejam, estamos falando de show de Roberto Carlos, no Canecão e o cabra diz a ela pra ir atrás do palco e procurar pelo Beleza?! Como assim?! Ir para o backstage?! Sem pulserinha????)

Ah! Uma curiosidade, na equipe do Roberto todo mundo tem apelidos, dados pelo próprio Rei. (Beleza, Baiano, Branca de Neve, esses foram os que eu decorei)

Ela então segue, sem ser parada por ninguém vai andando, passa pelo Faustão e Xuxa que chegavam para o show, depois Pelé (rs rs) é, desse jeito só faltava ela esbarrar com o próprio Roberto (rs rs). De repente, aparece na frente dela o Maestro Eduardo Lajes, e ela pergunta pra ele do Beleza ele diz que o Beleza está do outro lado, então ela atravessa de novo, e no meio daquela muvuca de produção, vips pra lá e pra cá. Até que encontra o Beleza. E fala com ele sobre o interesse na mesa de frente ao palco. Ele diz que vai procurá-la no final do show para conversarem e, procura mesmo. Disse que iria verificar. Pede o telefone para contato, ela então lhe entrega o cartão de visita. Ele promete que durante a semana ligaria pra ela. E na semana o telefone toca, é ele. Pergunta se ela queria para o sábado ou para o domingo, ela compra para os dois dias. E realiza o sonho de ficar o show inteiro no gargarejo, só tinha uma fileira de mesa a sua frente. Em uma das noites uma pessoa da produção a procura e coloca aquelas pulseiras com a qual todo mundo sonha kkk esse é o dia que no camarim, troca as primeiras palavras com Dona Laura, que simpatizou com ela, e lhe apresenta a nova namorada do filho, Maria Rita. Ela nem se lembra de perguntar para Dona Laura sobre os brincos. (mas não se esqueçam dos brincos!)

Nessa mesa que ela sentou nesse final de semana, sentou também um grande amigo do Roberto e também o dono do Canecão. Ela havia tirado fotos de shows e mostra para eles. As fotos são levadas ao Roberto e na seqüência ela é procurada pela fotografa oficial para combinar de ver o que mais ela tinha. Vão procurá-la no hotel onde ela estava hospedada.

Nessa época a equipe do Roberto cuidava de fazer revista dos shows, com letra das músicas da turnê, fotos e vendiam. E algumas de suas fotos vão parar nessas revistas. Disse que guarda recordações ótimas desses shows no Canecão.

Outubro de 1991, precisamente dia 04 de outubro, saindo do escritório, fechando a porta. Aniversário da Vanessa, sua sobrinha, um casamento no dia seguinte. Era muita coisa pra arrumar, e nessa correria toda, passando a chave na porta ouve o telefone tocar. Podia ir embora, virar as costas e resolver seus problemas, mas ela volta e atende ao telefone...Lembram do presente para a Dona Laura? Os brincos? Que ela entregou no show do ano anterior? Pois é, o presente foi entregue e era Dona Laura do outro da linha, agradecendo ao presente, dizendo que todas as pessoas sempre tiveram um carinho muito grande pelo seu filho, e que isso a agrada; mas que nunca tinham demonstrado um carinho por ela. Então assim que tivesse um show do Roberto em São Paulo ela faria a questão de convidá-la para sentar bem na frente de seu filho.

E assim aconteceu, assim que Roberto veio fazer temporada em São Paulo, ela foi convidada de Dona Laura. E isso se estendeu por anos (de 1992 a 2006). Sempre que Roberto vinha se apresentar em São Paulo D. Laura também vinha e não se esquecia da Sônia. Isso que é consideração, não?! Me simpatizei com a “Lady Laura”.


Uma pergunta que lhe fiz é se teve um show de sua preferência, e como todo fã, é difícil de escolher, mas acredita que os que mais lhe emocionaram foi o show em que ele se vestia de palhaço e também o show em que nos telões era relembrada a jovem guarda. Nesse, ela chegou a ir até o camarim, esteve com ele mais uma vez, e elogiou a idéia das projeções que a emocionaram e ele disse: Por isso que nem olho para o telão, fico de costas, senão também choro!

De vez em quando me pego pensando até quando vou acompanhar a carreira do Pedro, e quando encontro pessoas como a Sônia ai é que o questionamento volta. Admiro pessoas que acompanham e tem orgulho disso, no entanto, me conheço sei também que tudo pra mim é uma fase, e por isso digo que não sei até aonde vou nessa “perseguição” ao Pedro.

Perguntei-lhe a que ela credita esse tempo todo acompanhando-o, da forma que o acompanha? Ela me disse que ele nunca a decepcionou, que cada mudança pela qual ele passava, cada fase que surgia, pra ela era melhor. É, acho que isso realmente é importante, ver a mudança e sentir que foi pra melhor, as coisas não são estáticas. 

Não vou negar que gosto do som do Pedro carregado de metais, foi assim que me apaixonei ao ouvir o CD Voz no Ouvido. No entanto, depois que ouço um novo trabalho, como o de 2007, por exemplo, aonde ele trabalhou com outra atmosfera sonora, mais limpa, e ao ouvir continuo gostando do resultado, me pergunto porquê? A suavidade de sua voz, e a maneira de interpretar cada palavra, a diversidade sonora que existe em seus trabalhos, e ao mesmo tempo consegue dar uma unicidade, que é até complicado de explicar. Esses são um dos motivos, mas tem que ter mais alguma coisa.

Fã em qualquer época e em qualquer lugar se parecem muito. Ela guarda tudo que ganhou e que tem relação com o Roberto, desde fotos, cartões que as amigas compraram e lhe davam como cartão de Natal ou de aniversário, até revistas com matérias sobre ele, e principalmente os discos. Sente não ter um bonequinho do Roberto que a Estrela lançou na época da Jovem Guarda, mas era carinho. Hoje esse bonequinho deve estar valendo uma nota. 

Creio também que sempre teve o fã que gosta de dirigir a carreira de seu ídolo. Talvez, hoje isso ocorra com mais frequencia, devido à “distancia” entre esses dois lados terem diminuído. Talvez seja ai que me identifico mais com a Sônia, a gratuidade em acompanhar o ídolo, sem cobranças, até porque entendemos que agradar a todos é impossível. (Tá! De vez em quando eu esqueço e cobro algumas coisinhas do meu lindinho! (rs rs)).

Enquanto estou revendo o texto, e pensando na relação Sônia e Roberto me veio uma coisa à cabeça. A arte é produto, é criação do artista, nasce dele. Penso então, que tem que ser uma verdade, ele tem que acreditar e tem que ser o primeiro a gostar da sua criação. Pra dar certo tem que ser uma verdade. Nesse caso a verdade é do individuo, do artista. Daí não vejo como eu, como fã, possa intervir na criação. Talvez seja ai que o Roberto Carlos conquistou e manteve alguns fãs desde sempre. Por eles conseguirem ver em cada trabalho a verdade do artista. Penso que isso tem sido também o responsável na minha relação com os trabalhos do Pedro, vejo a verdade dele nos trabalhos. Na seleção do repertório, nos arranjos para cada canção. 

Bem é isso! Sonia obrigada por ter aberto a porta da sua casa, ter tirado todas as revistas dos plásticos (é todas são embaladinhas em plásticos). Ter tido a paciência de me agüentar uma tarde inteira. Pelo saboroso strognof, melhor dizendo, agradeça a Cida, por mim, ta?! O lanchinho no final da tarde. E Van obrigada a você pelo registro de imagens que você fez. Valeu mesmo!



Foi tudo muito gostoso, desde o bate-papo até o exercício de escrever tudo isso valeu muito.
Beijos! E que Pedrinho chegue aos 50 anos de carreira e que eu, se viva ainda estiver, esteja babando por ele, e PARABÉNS AO ROBERTO CARLOS!
E hoje dia 25 de dezembro de 2009 depois da novela “Viver a vida” ninguém ligue para a Sônia.

Neli

Um comentário:

Neli disse...

Quanto a entrevista com o Pedro tentei uma segunda vez e joguei a toalha
bjs
Neli