sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

BIOGRAFIA COMENTADA E NÃO AUTORIZADA PEDRO MARIANO

PARTE III

OBS. Não tenho formação em letras e não houve revisão no texto (ACEITO CORREÇÕES mandem e-mail nelisteixeira@gmail.com )

O CENÁRIO MUSICAL BRASILEIRO DÉCADA DE 80 E 90

Pedro Mariano nasceu em 75, e no ambiente familiar ele cresceu com acesso a música mundial, rodeado por nossos compositores, vendo e ouvindo o trabalho dos pais, mas ouvindo também o que os pais ouviam, principalmente jazz, e o soul da Motown, os sons internacionais também povoavam o universo dele. E conforme foi crescendo foi se identificando com o som que melhor lhe agradava, e o som de sua geração também foi se moldando, a black music, o rock, o punk (new wave), a fusão disso influenciou o universo pop internacional dos grandes expoentes desse período, Michael Jackson e Madonna e muitos outros artistas e bandas de rock, que farão parte da adolescência de Pedro Mariano.
Ele nasce ao mesmo tempo em que acontece no Brasil a abertura política, ela já estava a caminho, e isso vai se refletir em nossa música. Abertura política é positiva, no entanto, na economia as coisas não iam nada bem. 

Nos anos 80, ainda criança, Pedro cresce sob esse novo clima político e econômico. A censura começa a abrir a guarda, e o rock nacional, influenciado pelo crescimento de bandas inglesas e americanas, começa a tomar forma.
Os “filhos da Ditadura”, agora são jovens que querem cantar e dizer a que vieram. E muitas vezes, deixar sua crítica política e social, o que não é mais exclusividade da MPB. Essa, inclusive, começa a passar por transformações.
Surgem as nossas bandas de rock: Blitz, Paralamas do Sucesso, Titãs, Barão Vermelho, que tinha um dos grandes compositores da década, Cazuza. Teve ainda RPM, Legião Urbana, Ultraje a Rigor, Engenheiros do Hawaii, Capital Inicial, Ira, Biquini Cavadão, Kid Abelha, e muitas outras que só viveram o auge da década de 80. Essas citadas, ainda hoje continuam em destaque, umas mais do que outras. E, por conta desse movimento do rock nacional, em 85, acontece em grande estilo, o primeiro Rock in Rio que entrou para a história. Na época, Pedro só tinha 10 anos.
Com a televisão sendo a grande mídia e já presente na maioria dos lares, o “lixo” na música começa a ganhar espaço, mais valendo o potencial comercial do que artístico. O sucesso midiático e efêmero ganha espaço e a música de qualidade começa a perder esse espaço nos ouvidos da massa.
Mas, apesar disso, ainda nas paradas de sucesso, artistas de décadas anteriores se mantêm em evidências: Elis que falece no começo da década, mas sua música fica para eternidade. Os nomes de maiores destaque nessa época: Tom Jobim, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Tim Maia, Jorge Ben, Gonzaguinha, Ivan Lins, Gal Costa, Maria Bethania, Simone; Rita Lee (esqueci alguns com certeza). No Samba, Beth Carvalho, Alcione, Paulinho da Viola, Leci Brandão, Martinho da Vila...Ah! E Roberto Carlos também continua fazendo sucesso. Guilherme Arantes a partir de Aprendendo a Jogar, que Elis gravou, volta a ter destaque na cena musical nesses anos 80.
Djavan surge no final da década de 70, mas é nos anos 80 que ganha força e expressão na nossa música, gravando no comecinho da década ao lado de Stevie Wonder. Pode-se dizer que os anos 80 foram do Djavan na MPB. 
Outra que emplaca vários sucessos é a Joanna. É! O romantismo em alta, Michael Sullivan e Paulo Massadas é a dupla de compositores que fazem um hit atrás do outro, tem ainda Roupa Nova e suas músicas que estouram em trilhas sonoras de novelas. Surge Lulu Santos, outro hitmaker, emplaca um sucesso atrás do outro e que ainda hoje se mantém na onda. Temos ainda Sandra de Sá. E no Samba Jorge Aragão e Almir Guineto que fundaram no final dos anos 70 o grupo Fundo de Quintal. No começo dos anos 80, eles seguem para carreira-solo. Praticamente, são esses dois e o Zeca Pagodinho, expoentes do samba dos anos 80, que vão consolidar um novo estilo, o pagode, provocando a indústria fonográfica a investir no segmento em questão e o boom de grupos de pagodes surgem nos anos 90.

Outro ritmo musical que nos anos 80 ganha força nos grandes centros é o sertanejo. Isso vai se refletir nas mídias de TV e Rádio, afinal, os centros urbanos recebem cada vez mais migrantes do interior e nos anos 90, o sertanejo divide o espaço com o pagode. Não se pode esquecer o Axé, que vem com tudo no final da década de 80. Ele é mais um ritmo para ocupar o espaço da mídia. E nessa pegada, todos os outros ritmos na década de 90 ficam à margem, sem espaço.
Mas, claro, que apesar de não se ter o espaço que merece, a MPB continua produzindo, Marisa Monte, Adriana Calcanhoto, Zélia Duncan, no Pop Rock Cássia Eller, Skank.
É esse cenário brasileiro que Pedro e amigos da sua geração encontram no começo de suas carreiras, já na segunda metade da década de 90. 
Na contramão desse cenário, existem alguns programas - mas em emissoras sem grande inserção nos lares brasileiros – de audiência baixa, programas independentes, como foi o caso, no final de 94 o Programa Cia da Música, da CNT/Gazeta, apresentado pelo meio irmão do Pedro, João Marcello Bôscoli. O nome do João para ser o apresentador do Programa foi sugerido por Ivan Lins.

O programa não tem repercussão em audiência, mas acaba ganhando expressão, cai no gosto da crítica e do meio musical, tanto que um ano depois recebe convites de outras emissoras.
O programa surge como um lugar de encontros entre os medalhões da MPB e a nova geração da “MPB/pop brasileira”. Segundo o que li, a ideia era resgatar o espírito dos velhos musicais de auditório. Uma mistura de “O Fino da Bossa”, da Record dos anos 60, com a “Fábrica do Som”, da TV Cultura nos anos 80. Ficou a cargo da Intermeios e a Cinemacentro a produção do Programa apenas entregando pronto o programa a CNT/Gazeta para a transmissão.
Bernardo Vilhena assinava os roteiros, e a direção era de Oscar Rodrigues Alves (só para constar é irmão da Flavia, esposa do César, ou seja, “tio”). 
As gravações aconteciam no Teatro Mars, em São Paulo, com plateia. E Pedro Camargo Mariano fez a sua estreia na TV nesse programa, que foi gravado no final de janeiro de 95. Apesar do Pedro já ter aparecido em entrevistas que tanto Elis como César concederam a emissoras de TV quando Pedro era ainda criança, além do clipe da Canção Íntima para o Programa do César na extinta TV manchete. (alguns desses vídeos estão na Parte II da bio aqui no blog).
Mas, profissionalmente falando a estréia em TV seria essa no Programa Cia da Música. Segundo uma notinha da folha, o programa com o Pedro foi ao ar no dia 05 de fevereiro de 1995. Além do Pedro, nesse programa, Johnny Alf, A cor do som, Banda Griot, Banda Planet.

Pedro Mariano e João Marcello, imagino, eram jovens, com a cabeça fervilhando de idéias e muito próximos, afinal, ficaram morando juntos depois que César foi para Estados Unidos. Os dois e o buldog Jobim (essa info é de um bate papo UOL de 97, ou seja, não sei ao certo quando o cachorro chegou a casa deles). As ideias deviam pipocar nos bate papos entre eles e amigos próximos. Cresceram como já foi dito, no meio musical, na infância de ambos, uma influência grande, não só dos pais, mas da música em geral, respiravam tudo que era ligado à música. 
João Marcello, em 94, era diretor musical da empresa de publicidade DPZ e em novembro era também apresentador do Programa Cia da Música.
Pedro Mariano nos anos de 92/93, como já foi contado trabalhou com o pai na produtora, participou de Festivais, tinha a sua Banda, a “Confraria”, mas em 94 deixa por entender que ele não é de banda.
Temos então dois jovens próximos, filhos de uma das maiores cantoras da música brasileira, que estavam trabalhando com música.



1995
TRIBUTO À ELIS – “Minha Alegria está em cantar” (Pedro Mariano para a folha em abril de 95)

Mil Novecentos e Noventa e Cinco é um ano interessante. Se Elis estivesse viva faria 50 anos. Esses números redondos merecem comemoração. Foi assim com os 50 anos de César Camargo Mariano, em 93, comemorados com surpresa para o aniversariante e com toda família envolvida na surpresa. 
Pedro Mariano e João Marcello decidem que Elis também merecia uma homenagem.
Agora vou falar de lembrança e do meu entendimento sobre esse momento. 
Em uma entrevista, essa dada para a rádio Alpha FM em 2009, no programa Bossa ao Vivo, Pedro Mariano lembrou que o pai teria lhes aconselhado a fazer o “Tributo a Elis”, mas não focar apenas no repertório dela e sim, homenageá-la cantando também “a sua” música, do seu tempo. E mesmo nas canções consagradas por Elis, foi dado outro arranjo, outra atmosfera, a linguagem era dos jovens que estavam no palco. Acho que foi um conselho e tanto, muito acertado, falo por mim, esse show tributo de 95 eu gosto muito da sonoridade. E, lembro do Pedro nessa mesma entrevista para a Alpha FM dizer que o público presente aprovou a homenagem. Ele disse que foi um pouco tenso, não tinha certeza como as pessoas iriam reagir. Apesar que na matéria da Folha em que se divulgava o show, Pedro já deixava claro como seria o repertório: 
Vamos fazer um show com MPB, Jazz e Música Negra, vai ser uma celebração, com ritmos dançantes”.
E foi isso que fizeram, mesclaram o repertório deles com o de Elis e também convidaram o cantor e compositor Ivan Lins, um dos compositores gravado por ela. A banda foi do Programa Cia da Música. Os músicos presentes nesse espetáculo foram:
Duas baterias no palco e os bateristas, João Marcello Bôscoli e Albino Infantozzi; Guitarra e arranjos Max de Castro; Teclados e Arranjos Keko Brandão; Baixo J.J Lucrécio; Teclados, Violão, Baixo e Arranjos Daniel Carlomagno; Trompete Paulinho; Trombone Valdir Ferreira; Sax, Flauta, Clarinete Ubaldo Versolato; Percussão Luiz Carlos de Paula.
O show foi marcado para o dia 22 de março de 1995 no Teatro TUCA em São Paulo. Palco no qual a sua mãe pisou várias vezes, quer dizer, não posso dizer que o palco era o mesmo, já que o teatro sofreu dois incêndios, mas no endereço que sua mãe frequentou algumas vezes, com certeza.
Segundo notícia da Folha, apresentação única, ingressos, R$5 com renda revertida para o Projeto de Combate a fome do sociólogo Herbert de Sousa, o Betinho. Teatro lotado, teve até tumulto na frente do teatro, pois tinham mais pessoas interessadas no show, do que lugares disponíveis. Imaginem a ansiedade dos rapazes.
João Marcello fez as vezes do apresentador, penso que, afinal, era ele o apresentador do Programa Cia da Música, e essa gravação depois foi transmitida no dia 26/03/95. Foi um Programa Especial da Cia da Música, a abertura que foi ao ar (não sei se na edição para a TV respeitaram a apresentação ao vivo – Pedro em entrevista deu a entender que cantou primeiro Acredite ou não), mas na TV foi com Como Nossos Pais, música de Belchior e surge Pedro indo ao encontro do microfone que estava junto ao pedestal no centro do palco e caminha concentrado curtindo o arranjo, diferente da versão da Elis que já solta um “Não quero lhe falar meu grande amor”.
Nessa nova versão, tem introdução preparando o Pedro. E ele respirando fundo e aguardando o momento de ele nesse novo arranjo, dizer as palavras fortes da canção. Arranjo tem pegada, é dançante, forte, pulsante, e o refrão diz tudo do porquê estar ali, afinal: “ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais”. Na sequencia Cartomante de Ivan Lins e Vitor Martins, também rejuvenescida. 
Quem estava à frente da banda era o filho, mas não com uma tentativa de reproduzir o que a mãe registrou magistralmente e sim, a sua homenagem, a sua leitura. E como ele costuma dizer em entrevistas, não cabe comparação. E se forem comparar, não precisa, ele mesmo já diz: “Ela é melhor”.
Das canções da turma dele, bom, não é bem da turma dele, mas era o som que ele curtia, já que a canção é de 83, ele tinha 8 anos, a canção foi Noite do Prazer de Paulo Zdan, Cláudio Zoli e Arnaldo Brandão. E, assim, dizia ao público que a “noite vai ser boa”.
Volta ao repertório de Elis com Corsário, de João Bosco e Aldir Blanc. Essa pra mim, ficou linda demais, nesse momento ele já está ainda mais solto no palco, parecia um veterano de palco. Arranjo, a interpretação, tudo perfeito. Acho que ele sentiu o mesmo, pois ao final da canção disse “tô arrepiadaço”.
E ai vem Nau, de Max de Castro e Daniel Carlomagno e Ventos do Norte do Daniel, que ai sim, são dos amigos de sua turma. Enquanto escrevo, penso que era como se ele apresentasse os seus amigos a sua mãe, o som que eles estavam fazendo, mostrando a mãe o respeito pela música que aprendera com ela e seu pai.
Volta ao repertório de Elis, com Triste de Tom Jobim, e na sequencia, já meio do show chama o convidado, contemporâneo de Elis, Ivan Lins, que agradece ao convite, diz sentir muito orgulho de ver “os meninos” dando continuidade ao trabalho dos pais. Ivan fica sozinho no palco e ao piano, canta pra ela e para os presentes em piano solo, Qualquer dia e Aos nossos filhos, composições do próprio Ivan com Victor Martins, a última dessas canções, ele oferece a “garotada que tá ai!
Volta Pedro Mariano ao palco, dando ares de estar caminhando para o fim da noite, afinal, as duas músicas seguintes, tem pegada de rock, funk rock. Canta do repertório de Elis, As Curvas da Estrada de Santos, de Roberto Carlos e Erasmo Carlos; e depois de Lenine e Braúlio Tavares, Acredite ou não. Parece que o show termina, digo parece porque o programa é editado. Volta para o bis chamando Ivan Lins para fazerem um dueto e cantam Cartomante. E Pedro encerra. Dessa vez, sem pedestal e colocando toda plateia pra cantar em pé, “Como nossos pais”, na sua versão.
Essas informações estão no DVD da gravação do programa que foi ao ar na CNT/Gazeta, duração de 1 hora, reafirmo que não sei se a ordem do DVD foi a ordem do show. Acredito também que tenha tido outras canções mas não sei informar ao certo. Mas, essas, com certeza, estiveram presentes no primeiro show pra valer de Pedro Camargo Mariano, ele mais tarde deixaria de lado o Camargo, do nome artístico. 
Primeiro show para um grande público, apesar de que em alguns Festivais Estudantis já havia se deparado com um grande público, mas um show completo com teatro lotado, esse deve ter sido o primeiro, e na matéria da folha ele disse que não estava nervoso: 
Não estou nervoso. Se posso dizer que herdei algo da minha mãe, acho que foi a perseverança, a crença de que nada é impossível quando se quer as coisas"


SHOW TRIBUTO A ELIS - 22 DE MARÇO DE 1995

.


REPERCUSSÃO E OS PRIMEIROS PASSOS NA CARREIRA

O show do Tuca, exibido dias depois na TV (26/03/95), o mostrou para mais pessoas, afinal, as quatro paredes do Tuca, tinham que ser rompidas. Mostrou um jovem cheio de musicalidade, de bom gosto, afinação, com originalidade, e domínio de palco. Uma perfomance que surpreendeu até o pai, que conhecia o talento do filho, mas ao ver a fita, que o filho fez questão de levar para ele apreciar em Nova York, se surpreendeu.
Pedro ao lado do João também participou de programas como da Hebe Camargo e Jô Soares, e matérias foram pipocando em jornais, como Folha de São Paulo, O Globo, entre outros, não poderia ter repercussão melhor. Tudo isso atiçou as gravadoras a começarem a assediar o jovem, de 19 anos, prestes a completar 20. EMI-Odeon, Sony, Polygram, Warner, Virgin, selo Dubas, dentre outras. Segundo a coluna da Joyce Pascowitch da folha do dia 19/04/1995 (Pedro já com 20 anos), as gravadoras lhes ofereciam até lançamento no mercado internacional; e encerra dizendo “Nem em Nova York - aonde Pedro foi dar um tempo – a turma das gravadoras desgrudou.”
Mas, Pedro Mariano podia ser jovem, mas não foi impulsivo, nem apressado. Teve paciência. Em entrevista para O Globo no começo de abril de 95, disse que não estava com pressa para gravar um disco, pensava nisso para o primeiro semestre de 96, disse: “nunca vi ninguém dar o primeiro pontapé e já no segundo fazer o gol”. Optou por trabalhar seu show, trabalhar na turnê do disco do João Marcello Bôscoli e Cia, que acabou saindo primeiro e que iria se tornar a base do seu Cd, levando dos shows que já fazia, Triste, As curvas da Estrada de Santos e Nau para o seu primeiro trabalho solo.
O 8º Prêmio Sharp da Música Brasileira, que aconteceu no dia 03 de maio de 95, prestou homenagem a Elis Regina. Os organizadores, um deles, a atriz Irene Ravache, queriam reunir no palco os três filhos de Elis, além de César Camargo Mariano. Entretanto, segundo informações do jornal O Globo, César tinha shows em Nova York, Maria Rita não pôde interromper as aulas. Mas, mesmo com Pedro e João no Brasil, como fala a matéria de O Globo, os organizadores tiveram que gastar saliva, e mesmo assim, tiveram que aceitar uma das exigências deles, que era dispensar o grupo escalado para tocar na festa para a apresentação deles que queriam a banda Cia da Música. No final, ficou acertado que seria apenas um trio, João tocaria teclados e Max de Castro guitarra, a canção escolhida: Triste de Tom Jobim.
E ainda em maio de 95, dia 18, ele é o convidado para inaugurar o Projeto “Filhos de Peixe” no Café do Teatro, no Shopping da Gávea, Rio de Janeiro.

PRIMEIRO CONTRATO, PRIMEIROS SHOWS

Em junho de 95, precisamente, segundo o jornal “O globo”, dia 23 de junho de 95, Pedro Camargo Mariano assina contrato com a Sony Music, ele e João Marcello. João já tinha pronta a concepção do seu disco, e realmente põe a mão na massa e produz. 
O garoto, Pedro Mariano, chamava a atenção, e em agosto de 95 recebeu o convite para integrar o grupo de artistas que fizeram uma homenagem ao poeta e cantor Cazuza, no Especial da Globo, Som Brasil. Era o 5º ano sem Cazuza, a gravação foi no Metropolitan do Rio de Janeiro, no dia 22 de agosto e o show foi ao ar dia 29. 
Engraçado, enquanto o nome artístico ainda era o nome completo Pedro Camargo Mariano, o Jornal “O Globo” já reduz por conta, e cita junto a Lobão, Lulu Santos, Cássia Eller, Zélia Duncan, Paulo Ricardo, Kid Abelha, Skank, Barão Vermelho, Sandra de Sá, “Pedro Mariano” que ficou com o clássico “Preciso dizer que te amo”. 

Pedro, não esteve sozinho nesse momento, contou com César Camargo Mariano ao piano e amigos próximos, como Max de Castro na guitarra, e, acredito eu, o baterista Albino Infantozzi, além do meio-irmão Marcelo Mariano no baixo. (eu sei,“acredito eu”, em uma biografia, é estranho, mas é a minha biografia, meia boca, mas é assim!) . A renda do show foi destinada para a Sociedade Viva Cazuza e o show ganhou lançamento em CD e LP.


Em setembro os irmãos, João Marcello e Pedro Mariano desembarcaram no Rio para um show no dia 14 no Jazzmania, show esse que eles denominaram – Ensaio Geral – já que o lançamento do CD João Marcello Bôscoli e Cia estava próximo.
(Em entrevista para o bate papo UOL, ele fala de um tombo no palco, no final de um show, e ele diz que era uma estréia no Rio, teria sido nesse show? Ou será que foi aquele no café teatro na Gávea, ou ainda será que foi no lançamento do CD dele em 97? Um detalhe ainda não descoberto). 

O lançamento do CD João Marcello Bôscoli estava tão próximo, que aconteceria, no dia 23 de outubro de 95, um show para convidados, no Teatro Villa-Lobos no Rio de Janeiro e depois o lançamento foi para São Paulo, do dia 27 a 29 de outubro no mesmo Teatro Tuca de março desse ano de 95.
Dessa vez, além deles, João, Pedro e a banda Cia da Música, com o Max de Castro, teve no baixo o Edu Martins, e também a presença dos amigos, Simoninha, Cláudio Zolli (todos esses gravaram suas faixas no CD João Marcello Bôscoli & Cia). Além de um convidado, não sei se foi só em um dia ou nos três, mas teve Jorge Ben, pelo menos, no show que foi ao ar pela Band.
Nesse show do Cd João Marcello Bôscoli & Cia, ah ele ficou mais a vontade ainda, além de ser solista nas faixas que gravou para o Cd em questão (Ventos do Norte, Acredite ou Não, Noite do Prazer e Como Nossos Pais), cantou também Triste e as Curvas da Estrada de Santos e quando não cantava, ficava no palco fazendo backing enquanto tocava algum instrumento de percurssão.
Mais uma vez a coluna da Joyce Pascowitch, do dia 28 de outubro, dá a sua nota na folha sobre eles, e com seu bom humor diz:
Não foi só nos dotes musicais dos rapazes que algumas lolitas prestaram atenção anteontem no lançamento do Cd “João Marcello Bôscoli & Cia. No Tuca, com aval da Sony.
Com camiseta sem mangas e remelexos dignos de Mick Jagger, Pedro Camargo Mariano virou lasagna instantâneo. Apelidado de Coxão”(Folha de São Paulo, 28/10/95)
Curiosidade: “anteontem” no caso da nota acima, não seria dia 27, e sim 26, acredito então que fizeram um show exclusivo para imprensa e amigos, ou ela errou no anteontem...(Dúvida!) Até porque camiseta, pelo menos dessa apresentação que foi ao ar não era sem manga, mas o coxão era dele.

1996
ESTÚDIO: O PRIMEIRO CD 

Foi no começo de 96, não sei exatamente a data, que, o então Pedro Camargo Mariano entrou em estúdio para gravação do seu primeiro CD.
O estúdio foi o mesmo do Cd do João Marcello Bôscoli & Cia, Estúdios Mosh. O primeiro cd foi produzido por João Marcello Bôscoli, que também foi baterista em algumas faixas, as vezes só ele outras vezes juntamente com Albino Infantozzi; Violões e Guitarras Max de Castro, exceto Passado que o violão foi feito por Tuco Marcondes. Em Temporal e O Silêncio das Estrelas e Se ela quer ou não, não teve nem violões e nem guitarras. O baixo no Cd ficou por conta de JJ Franco, Edu Martins e Marcelo Mariano; os teclados Daniel Carlomagno e Keko Brandão. A faixa Bom dia e Lua pra Guardar foram recheadas com uma orquestra (violinos, violas, cellos). 
Os arranjos ficaram a cargo dos mais próximos como tem que ser: João Marcello, Daniel Carlomagno, Max de Castro, Keko Brandão e o Armando Ferrante Jr., com quem ele já havia trabalhado na época que gravava campanhas publicitárias.
Nesse primeiro CD ele optou por ter consultora vocal, e quem trabalhou nisso com ele foi Maria Alvim. E uma coisa interessante no encarte, é que em um momento em que a tecnologia começava a transformar qualquer um em cantor é a frase “todas as vozes do Pedro são gravadas em take únicos, sem emendas”. Todas as vozes do Cd foram gravadas pelo técnico de som que o acompanha em vários momentos de sua carreira até os dias de hoje, Luis Paulo Serafim. E desde esse primeiro CD, o próprio Pedro faz os backings. 
A abertura do Cd foi com Triste, canção que o acompanhou no primeiro ano de carreira, tanto no show Tributo no Tuca, como também no Prêmio Sharp, e, acredito eu, nos programas de TV que se apresentou, e nos shows do João Marcello Bôscoli e Cia, além dessa, Nau, que vem desde a Confraria, e As curvas da Estrada de Santos, essas canções deram o norte para o CD. Essa canção do Roberto e Erasmo gosto muito da versão do Pedro e gosto mais por pensar que era isso que ele realmente queria dizer no começo de sua carreira, “se você pretende saber quem eu sou eu posso lhe dizer, entre no meu carro” penso que o “carro” é a sua música, era o que ele queria mostrar, e a “estrada de santos”, ela foi e está sendo construída, é a sua carreira.
Além de Tom Jobim, Roberto Carlos e Erasmo Carlos, Daniel Carlomagno e Max de Castro, compositores dessas canções já citadas, o Cd conta também com canções de outros compositores, como Djavan (Temporal) , Lenine e Dudu Falcão (O silêncio das estrelas), Cazuza (Pro dia Nascer Feliz), e a faixa Passado dos amigos Simoninha e Max de Castro com o irmão João Marcello. 
A canção “O Silêncio das Estrelas”, recentemente, Pedro contou que ganhou de Lenine, após um show do Lenine em que ele participou.
Normalmente em uma grande companhia como a Sony, é de praxe gravar artistas da editora, e não foi diferente com o Pedro, lhe deram duas canções, Encontros e Lua pra Guardar, de Léo Henkin, segundo entrevistas ele não estava disposto a gravar Lua pra guardar, já havia escolhido Encontros, que é uma canção que em entrevista na época era uma das que mais gostava. Mas a gravadora queria também Lua pra Guardar, e como era o primeiro cd não teve como não fazer. E a canção fez sucesso, a gravadora conseguiu inseri-la na novela Anjo de Mim (Rede Globo 9/9/96 a 28/3/97). Fato é que essa canção as vezes é pedida pelos seus fãs, hoje em dia nem tanto mais, mas pediam...E quer saber, pra mim, ela está entre as 5 mais do disco...eu imagino se ele tivesse curtido fazer a canção como ela não ficaria.
E temos ainda nesse primeiro Cd do Pedro, além de Max de Castro e Daniel Carlomagno na parceria de Nau, canções individuais de cada um deles como Bom dia e Se ela quer ou, respectivamente. 
A mixagem do disco também ficou a cargo de Luis Paulo Serafim, e se não me engano foi nesse período da mixagem que Simoninha o apresenta ao músico e compositor Jairzinho, que estava em Férias no Brasil, vindo de Boston, da Berklee College of Music. Na época acho que era assim que era apresentado, hoje, com todo respeito, Jair Oliveira. Nesse encontro trocaram as primeiras palavras, mas só um pouco mais tarde se encontrariam musicalmente, quando Jair retorna definitivamente para o Brasil e começam os encontros nas tardes de sábado para umas partidas de futebol na casa de Jair Rodrigues.

FESTIVAL DE JAZZ DE MONTREUX

Em 96 ainda, depois de gravar seu primeiro cd, acontece outro grande marco da carreira. César Camargo Mariano faz uma ligação e o convida para um dos maiores Festivais de Jazz, Festival de Jazz de Montreux. A participação dele aconteceu no dia 06 de julho de 1996; mas para falar desse Festival o melhor é transcrever as próprias palavras do Pedro postada em seu blog, em 2009, como foi postada no blog, há algumas brincadeirinhas no texto, que quem o acompanhava na época entende, mas explico antes para os desavisados:
Sobre o “karaokê” era época que o baixista da banda era o Leandro Matsumoto, o Japa, (voltou) e já que tinha um japa em sua banda, ele apelidou o momento dos hits do show em formato acústico, e até com banda, em que ele coloca todo mundo para cantar, como “momento Karaokê”, ele dizia que pensava em fazer descer uma tela e nela seria exibida imagens bucólicas, (normal dos karaokês) e o Matsu ficaria com a lanterna apontando a letra...ah! segurando a lanterna com a boca, claro, já que teria que continuar tocando.
Sobre o “sem pagode” dias antes dessa postagem original em seu blog, em um show no Rio, ele reclamou justamente de um pagode que tocou a noite toda ao lado do hotel em que ficou hospedado. 
Segue agora o relato da testemunha ocular, Pedro Mariano, sobre o Festival de Jazz de Montreux de 96 e de quebra um Pedro "pessoa física:

“Em 1996 eu estava vivendo um turbilhão de acontecimentos. Tudo acontecia muito rápido, e para me acostumar às mudanças foi um pouco difícil. No ano anterior, eu havia feito o show em homenagem à minha mãe, no TUCA em SP, que além de muitas matérias nos principais jornais do país, me mostrando para o mundo pela primeira vez, rendeu também um contrato com a Sony Music do Brasil para a gravação do meu primeiro disco como cantor.
Antes de gravar este primeiro disco, participei da gravação do disco João Marcello Bôscoli & Cia., juntamente com Simoninha, Claudio Zoli, Max de Castro, Daniel Carlomagno, Milton Nascimento e outros.
Após este disco ficar pronto, entramos em turnê, e já pude testar uma série de músicas que vieram a entrar no meu primeiro disco (aquele verdinho, “Pedro Camargo Mariano”).
Este disco ficou pronto no meio do ano de 1996, e durante o processo de mixagem, recebi em casa uma ligação do meu pai, que já morava no EUA. Nessa ligação ele me convidava para participar, com ele, de um show no “Festival de Jazz de Montreux”, em Julho, na Suiça, numa homenagem à minha mãe.
Essa apresentação homenagearia a apresentação que minha mãe fizera neste mesmo festival. Em tempo: ao final de sua apresentação, ela foi aplaudida durante 11 minutos seguidos. Este furor foi registrado em disco, mas como durou muito tempo, colocaram só um pouquinho para dar vontade!
Nota: foi a primeira vez que fui convidado pelo meu pai para exercer minha profissão. Já tínhamos feito coisas juntas, mas nada público.
Perguntei a ele o que tinha em mente. Ele me disse que iria fazer um show aonde ele faria uma parte instrumental com algumas músicas dela, depois chamaria alguns convidados; pela ordem João Bosco, Pedro Mariano e Milton Nascimento.
Gelei. Nunca tinha saído do país para uma apresentação como artista solo, e de cara iria dividir as atenções com essas feras.
Depois perguntei como seria minha apresentação. Ele me disse que eu cantaria “Triste” com a banda, “Se Eu Quiser Fala Com Deus” em piano e voz e “Maria, Maria” com o Milton Nascimento.
AAAAAAAAAAHHHH Tá!!!!! Como se fosse a coisa mais normal do mundo! Vou viajar até a Suíça, fazer uma homenagem à minha mãe, cantando piano e voz com meu pai, e de quebra fazendo um dueto com o Milton Nascimento? Super normal!
Para ele disse na maior tranqüilidade: “Beleza!! Que horas é o vôo? Que roupa eu levo?” Uma brincadeira que fazemos sempre.
Ao desligar o telefone, um certo pânico tomou conta de mim, mas uma sensação boa, e ao mesmo tempo uma insegurança. Queria que desse tudo certo. Não queria desapontar o meu pai, por estar me escolhendo para fazer parte dessa apresentação.
Nesse meio tempo o disco ficou pronto e aproveitei para ficar com uma cópia para mostrar para meu pai quando fosse para a Suíça.
Tudo pronto para viajar. Eu estava indo com meu empresário, na época o César Bekerman. Deixei que ele visse toda a logística: hotéis, traslados, passagens, enfim, tudo.
Da produção do evento só nos forneceriam o hotel, então teríamos que resolver a parte aérea. O Cesinha me ligou e disse que por ser Julho, estava tudo lotado, e só conseguiríamos viajar em pacotes turísticos, ou seja, ficar mais tempo que o necessário.
Eu tinha que chegar dois dias antes do show para ensaio e ir embora do hotel no dia seguinte ao show, com isso somavam-se 4 dias de hospedagem. O Cesinha só tinha conseguido passagem para 1 semana o que nos deixa 3 dias na rua. Resolvemos ver isso quando chegássemos lá, porque não tínhamos noção de preços. E como bons aventureiros compramos as passagens para 1 semana, hotel para 4 dias e 3 dias de pernadas nas ruas da Europa.
Cheguei lá pousando em Genebra, um carro da produção veio nos pegar no aeroporto e rumamos para Montreux.
As estradas, a natureza, tudo era mágico. Parecia aquelas fotos de embalagem de chocolate caro. Montanhas altas com neve no cume, muitas pastagens, lagos (lembrei das fotos que poderiam ser colocadas no momento “karaokê” do show acústico!!). Tudo muito bonito e novo.
Algumas horas depois estávamos estacionando no hotel, onde no saguão meu pai, a Flavia (sua esposa), o Oscar, irmão da Flávia e toda a banda estavam papeando. Celebrações a parte, rumei para meu quarto deixar as malas e correr pra ver tudo, porque ensaio mesmo só no dia seguinte. 
Meu quarto era sensacional, parecia saído de um filme do Coppola. Antigo, rústico, mas extremamente aconchegante. O frio do lado de fora não incomodava por conta do aquecedor ligado, e uma vista do lago Leman absolutamente mágica. 
Saímos para dar uma volta e logo de cara vi uma loja de quê?! CHOCOLATE!! (por que será né?) Comprei o maior Toblerone que já vi. Tinha 1 metro de comprimento!! Levei dois porque já sabia que um ia ficar na Suiça. 
Passeamos pela “orla” do lago e lamento não ter mais as fotos. Não era época digital, e acabei perdendo quase todas as fotos, mas vou dar uma olhada e ver se encontro alguma coisa. 
Escureceu e saímos para jantar em um restaurante de comida portuguesa, muito gostoso! A nota ficou por conta de um barco que margeava toda a “orla” do lago com uma banda a bordo tocando para quem estava na terra. A banda em questão era a “Ásia de Águia”. 
Alguns vinhos e quilos depois, fomos para o hotel. Fui dormir quase 5 da manhã por conta de um bate-papo com meu pai, só eu e ele, que foi responsável por toda amizade e respeito que nutrimos um pelo outro. Nunca tínhamos sentado para conversar daquele jeito, e como eu já morava longe dele haviam dois anos, foi muito bom para ambos. Fui para o quarto e tive uma das melhores noites de sono da minha vida. Leve, profunda e sem pagode! 
Acordei, fui tomar café com o Cesinha, e nos dirigimos para o ensaio. 
O ensaio foi montado dentro do hotel, em um salão de convenções. Colocaram um piano, uma bateria e dois amplificadores para guitarra e baixo, além de dois microfones. Um meu e o outro do Milton Nascimento. Começou a cair a ficha. 
Fui ensaiando com meu pai o piano e voz, afinal era a primeira vez que faríamos isso. Depois de um tempinho partimos para a música com a banda. No meio dessa música chegou o Milton. Nota: eu o conheço desde que nasci, não há formalidades, mas uma coisa é o Bituca, outra é cantar com o Milton Nascimento. 

Pedro Mariano_Milton_Marco Mazzola
Finalizei minha parte do ensaio e deixei que o Bituca ensaiasse a parte dele com meu pai. Eles fizeram também um número de piano e voz, um com a banda. Depois veio o momento de ensaiar nosso número, “Maria, Maria”. 
A coisa estava fluindo tão naturalmente que me vi, de repente, dizendo para o Milton: Voce pode entrar aqui, canta até aqui e eu vou daqui em diante, etc.! Oh, audácia!! 
Mas o Milton é isso mesmo. De uma gentileza, uma humildade que faz você pensar que ele é igual a você. 
Passamos tudo, foi muito gostoso.me dando a sensação de que teríamos um noite especial. 
É tradição neste Festival, um almoço dado pelo organizador do evento, Claude Nobles, em sua casa,para todos os participantes. A festa ocorre nos jardins de sua casa. Já sabíamos de algumas atrações que haviam confirmado presença, como Phil Collins e Quincy Jones. Pirei!!! 
Ocorre que pelo meio da manhã, uma chuva enorme assolou a cidade. Adivinhem o que aconteceu?Caiu o almoço, e eu que iria conhecer Phil e Quincy, dancei!! Artista brasileiro... 
Resolvemos então ficar por perto do hotel, e dar uma volta em uma feira que acontece durante todos os dias de festival, às margens do Leman. Nessa feira acontece de tudo. Feira gastronômica, música, artes em geral. Voce vê palcos montados com uma distância de poucos metros uns dos outros, com artistas absolutamente distintos tocando e em cada palco, um pequeno público sentado assistindo, tranquilamente, com suas famílias. 
Assistimos a vários shows. Depois entramos no complexo onde aconteceria o show do dia seguinte e assistimos alguns trechos de outros artistas. Saímos já era noite. Paramos no caminho para o hotel em um restaurante minúsculo, onde comi o melhor risoto de frutos do mar da minha vida. 
Voltamos para o hotel e cama! 
No dia seguinte o trivial do dia de show: café-da-manhã, pega as tralhas e vamos passar o som. Correu tudo bem e voltamos para o hotel para nos arrumar para a batalha! 
Chegando ao teatro, na Sala Stravinky, fomos para o camarim e primeira emoção: um camarim com meu nome na porta! 
Caminhando pelos corredores do teatro, vários artistas se preparando para entrar em cena, se aquecendo, porque vários shows acontecem ao mesmo tempo. É muito divertido. Vi, por exemplo, Maria Bethânia aquecendo sua maravilhosa voz no camarim ao lado do meu. 
Eis que chega a hora! Estava tão concentrado e tão nervoso que as lembranças dos minutos antes do show são embaçadas. Sei apenas que fiquei no backstage, onde tinha um monitor de TV passando o show, assistindo a tudo, tentando entrar no clima do palco. Músicos brasileiros estavam lá e um bate-papo muito engraçado rolava, tirando a tensão do momento. 
Meu pai me chama e lá vamos nós. Detalhe: durante a passagem de som levei ao palco um caderno com a letra da música escrita, já antevendo que o nervosismo não me deixaria decorar tudo. Ao sair do palco esqueci o caderno lá. A produção era tão competente que quando entrei no palco, o caderno continuava lá. Para minha sorte. E o pior, está lá até hoje!! Esqueci de tirá-lo após o show. 
A performance de todos foi mágica, tudo correu como imaginado. Foi uma delícia. E apesar de minhas apreensões, meu dueto com o Milton foi muito legal. Nota: combinamos que o traje no palco seria o terno. Coloquei um terno preto com gravata laranja e no pé um sapato...laranja!! Não podia deixar de ser artista!! Quando voltei ao palco, pela segunda vez, para cantar com o Milton, ele estava bem descontraído, com uma camisa branca e seu tradicional chapéu. Achei que meu uniforme estava demais. Conforme fui entrando no palco cantando, tirei o paletó e a gravata. Acabou virando um momento do show. Joguei a gravata longe. Tão longe que ela também está lá até hoje. 
Saí do palco meio sem saber o que estava acontecendo. Quando vi estava com um alemão ao meu lado, pedindo autógrafo e tirando fotos comigo. Meu primeiro autógrafo internacional. Ainda bem que registraram em foto o momento. 
Depois de festejarmos o momento, o baterista Mark Walker e o baixista Leo Traversa, ambos americanos, viraram para mim e perguntaram se eu queria ver o show do Marcus Miller que acontecia no outro palco do complexo. Eu disse que não tinha convite e eles me disseram que minha credencial era o convite! Saímos correndo e conseguimos pegar algumas músicas do show. Super experiência! 
Saímos para jantar, confesso não lembro onde! Fui dormir e no dia seguinte começou a aventura da pessoa física. 
Sem ter mais reserva no hotel, eu e o Cesinha resolvemos ver o que faríamos. Decidimos que iríamos naquela manhã para Genebra e de lá para Paris, tudo de trem. O primeiro trecho de trem comum e o segundo de TGV, o trem bala europeu. 
Fomos a estação e compramos as passagens, voltamos para o hotel e o Oscar, meu tio “torto”, com seu francês hábil reservou um hotel para nós em Genebra. Do outro lado da rua da estação de trem. Pegamos as malas e fomos à luta. 
A viagem foi agradável, calminha e chegando em Genebra resolvemos nos libertar das etiquetas (muito mais pela falta de grana, do que por qualquer outra coisa), afinal só restaurantes de barão em Montreux, tínhamos que voltar à Terra. Primeira refeição do dia foi no Burger King!!! 
Nos vimos sem pilhas e sem filme para as câmeras, e do outro lado da rua da lanchonete tinha uma loja de filmes e afins. Entrei e peguei uma pequena fila, onde reparei que o casal à minha frente falava português. Estavam carregando seu videocassete para consertar. Pensei: chique, hein? Consertando o videozinho do apezinho em Genebra!!! 
Esperei mais um pouco na fila e comecei a ter a sensação de que já tinha ouvido a voz daquele senho e a cara dele não me era de toda estranha. Fui esperando, quando de repente eles se viram e eu o reconheço: Edir Macedo. 
Naquela época tinham sido veiculados na TV aqueles vídeos dos cultos no Maracanã, onde sacos e sacos de dinheiro eram carregados nas costas de ajudantes. E a pergunta: “onde anda Edir Macedo?” era repercutida em todo lugar. 
Não tive dúvida, desisti dos filmes e das pilhas e saí correndo de lá com medo de ter uma câmera escondida e minha carinha aparecer no Fantástico!! Olha quem foi achar o cara!! 
Continuamos a curtir Genebra pelo chão, mas como só se curte Genebra de dentro de um banco, no dia seguinte fomos para Paris. 
Como não tinha mais o meu tio e o seu francês para me ajudar, fui no inglês mesmo e descobri que ao chegar em Paris era só procurar os quiosques de ajuda ao turista que eu conseguiria uma reserva em hotel. Fomos para a estação, compramos os tickets para o TGV e no dia seguinte, Paris, uh-lah-lah! 
Andar de TGV e muito louco!! Dentro você tem a sensação de que está parado, mas basta olhar a janela que você vê tudo borrado devido à velocidade. Um velocímetro colocado em todas as cabines diz a velocidade de momento e chegamos a 250km/h e nem fez cócegas. 
Em menos de três horas estávamos em Paris. Fomos ao quiosque do turista e ao fazermos a reserva no hotel que tínhamos indicação, descobrimos que Paris estava LOTADA!! Afinal era julho!! Conseguimos uma diária para aquela noite, ou seja, tínhamos a dia para ver a Torre e o que mais desse. 
Saímos correndo, chegamos ao hotel, largamos as malas e voamos para o metrô. Quando chegamos à torre; magia!!! Que lugar maravilhoso, a vista, tudo. Saímos de lá e fomos até o Café De La Paix, um bistrô que fica ao lado do Opera de Paris. 
Comemos um pouco e, coincidentemente, após sairmos de lá, passamos em frente ao Olympia, Casa de show famosa onde minha mãe fez algumas apresentações, e qual foi a minha surpresa ao me deparar com uma foto dela na entrada do teatro, juntamente com outras fotos de grandes estrelas internacionais que também tinham se apresentado lá. Emocionante! 
Corremos até a Champs Elisée e cama!! 
Tinhamos um problema. A nossa diária acabaria no dia seguinte de manhã, portanto não poderíamos dormir sem antes saber o que faríamos depois. O Cesinha teve uma idéia: “Vamos para a Euro Disney!” Eu pensei comigo: Se Paris está lotada, o que faz ele pensar que a Euro Disney vai estar vazia?! 
Peguei o telefone e liguei para a central de reservas da Disney. Lá fui atendido por uma moça que descobri depois era portuguesa e me ajudou bastante a resolver o problema. A Disney, acreditem, estava VAZIA! Conseguimos quartos ótimos, dois dias de parque e passagem de trem direto para o aeroporto a um preço inacreditável. Não tivemos dúvida: Mickey, ai vamos nós!!! 
Lá chegando, volta-se a ser criança. Como um dos meus lazeres prediletos é parque de diversões, fui ao paraíso. Foi muito legal, realmente não estava cheio e deu para curtir muito. 
Passados os dois dias, juntamos as tralhas e pegamos o trem para o aeroporto. Depois disso foi tudo igual a qualquer viagem: chek-in, avião, sono... 
Realmente foi uma viagem inesquecível. Por tudo que aconteceu em todos os detalhes. Eu muito jovem tendo essa oportunidade, não teve preço. 
Espero que tenham gostado tanto quanto eu!! 


DE VOLTA AO BRASIL

De volta ao Brasil, mais um momento interessante em sua vida, não posso dizer que tenha sido inesquecível para ele, já que não perguntei a ele, mas posso dizer, pra mim é, no mínimo, interessante. Foi convidado por Carlos Miéle da M.Officer para o desfile de sua marca para o então Morumbi Fashion, que aconteceu dia 25 de julho de 96.
Mais uma nota da Joyce Pascowitch (adoro as notas da Joyce)
"- Além do empresário João Paulo Diniz e da arteira Lina Kim, mais dois novatos da passarela vão dividir os holofotes com os top no desfile da M.Officer este mês, no Morumbi Fashion Brasil.
Os mais petutinhos, João Marcello Bôscoli e Pedro Camargo Mariano, filhos de Elis Regina, já disseram sim a Carlos Miéle.” (Folha de São Paulo, 05/07/96)

Em 1996, o jovem Pedro, que ainda não tinha cd solo lançado, participa de mais um projeto, dessa vez, uma pequena participação no CD “Olhos da Noite” de Rafael Altério, na canção “Sol e Lua” composição do próprio Rafael com a esposa Rita.
Portanto, antes mesmo do CD “Pedro Camargo Mariano” chegar ao mercado, 7 canções, em 4 Cds ganharam registro de sua linda voz CDs: “João Marcello Bôscoli & Cia”, “Som Brasil Cazuza” e “Olhos da noite” e na novela “Anjo de mim” (a canção Lua pra Guardar é do Cd, mas chegou primeiro no CD da trilha sonora da novela).




1997
PRIMEIRO CD - PEDRO CAMARGO MARIANO - SONY

Em julho de 96 o Cd já estava pronto, mas só em março de 97 chegou às lojas, pelo menos essa é a nota da coluna da Joyce Pascowith (sempre a Joyce) 
Chega às lojas com capa assinada por Bob Wolfenson – e produção de Emanuela Carvalho – o Cd Pedro Camargo Mariano, filho de Elis Regina e César Camargo Mariano”(Folha, 03/03/97).
Em 23 de abril de 97, aconteceu a gravação do primeiro videoclipe da carreira profissional do Pedro Mariano, (já que gravou um clipe para a MTV da canção do Festvalda), a faixa escolhida do seu primeiro Cd para o clipe foi Encontros, que foi dirigido por Hugo Prata, o mesmo que irá dirigir o filme para o cinema sobre Elis. A fotografia do videoclipe foi de Adriano Holdman.


Em show ele disse que Encontros foi a primeira canção dele que ouviu tocar em rádio, no entanto, a novela Anjo de mim é de setembro de 96 e a canção Lua pra Guardar entrou na trilha sonora da novela, e essa também tocou em rádio, mas deve ter sido a segunda música de trabalho. E só para constar, agora em 2015, 19 anos depois de ter sido lançada em novela, ela entrou na programação da Nova Brasil FM, já que na época do lançamento do Cd a rádio ainda não existia.
Apesar do CD, segundo a nota, chegar ao mercado em março, somente no final de junho vieram as criticas, e diga-se de passagem as críticas, dos ditos “críticos” nunca foram muito positivas, um ou outro cd caíram pouco mais no gosto deles. Elogiam sempre a interpretação, mas sempre tem um porém no trabalho, nesses anos acompanhando a carreira e as críticas, senti que o grande “problema” parece ser a expectativa que os críticos tem sobre o trabalho que é lançado. Meu ponto de vista, é que se o Pedro lançar um CD só com compositores consagrados às críticas seriam bem melhores. (opinião pessoal)
No caso do primeiro Cd “Pedro Camargo Mariano” da Sony, fiz um apanhando das críticas publicadas em dois grandes jornais: O Globo e da Folha de São Paulo.
A Manchete de O Globo diz: “MPB soul do filho de Elis” primeira parte da matéria fixou mais em cenário do início da carreira e a chegada do disco ao mercado, fala superficialmente, sobre as músicas que: “foi regada pelas fontes negras americanas”. 
Na mesma página a crítica com o título “Pedro Camargo Mariano: Falta identidade, mas disco confirma o bom intérprete”, na integra da matéria tem o reforço: “que repertório, arranjos e instrumental não ajudem a focalizar uma identidade a altura do talento de Pedro Camargo Mariano”, mas fala também as “interpretações marcadas por um legítimo acento soul dão a esse disco a unidade”. Repertório é dosado entre clássicos e inéditas, e no final da matéria, diz o crítico Antonio Carlos Miguel “Pedro mostra talento para transformar chumbo em ouro”
Já a Folha de São Paulo publicou 3 textos sobre o Cd, um deles do compositor Bernardo Vilhena, e a chamada era: “Nasce o cantor de uma nova geração ousada e tecnológica” ele fala da herança cultural e genética do Pedro Mariano e faz uma constatação, “há muitos anos não surge um cantor no Brasil”... “Pedro Camargo Mariano tem uma bela voz e divide com uma facilidade que há muito tempo não se ouve. E, se lembrarmos que a divisão é a principal responsável pelo suingue, a coisa começa bem”. 
E o que eu mais amei em todo o texto:
Essas são apenas algumas anotações de um trabalho que tem uma notável influencia da música dos pretos. Os que identificam apenas a soul music não sabem o que estão perdendo. A divisão quebrada é samba na veia e, em certos momentos, a fúria na interpretação é típica dos cantores de rock”.
Os outros dois são assinados por Pedro Alexandre Sanches, um, que recebe o título de “Filho de Elis lança disco “trabalhado” é apenas um release do Cd e da história sobre a demora entre a contratação e o lançamento do cd e sobre a influencia da Black Music; já o outro texto “A estreia não chega a ser consistente”, vem a crítica forte. O crítico rotula o som de “pop-funk-soul de mauricinho” e por conta de achar que funk soul, não combina com o universo “mauricinho” em que ele enquadra o Pedro. O crítico sentiu um vazio programático. Ele diz ainda que o disco é “correto em todos os aspectos, mas não é brilhante em nenhum”; critica os maneirismos vocais. Para o crítico as melhores faixas, Se ela quer ou não, Passado, Encontros e Lua pra guardar, que pra ele são “deliciosamente melódicas”. Encerra o seu texto dizendo que o funk-soul não ganha corpo. Elogia o “romantismo elegante mauricinho” (mais uma vez) e que nessa pegada “até evoca a figura da mãe mito”

ALGUNS MOMENTOS DE 1997
Pelo acento funk soul do Cd, e, praticamente os críticos rotularem o som de Pedro Camargo Mariano como Black Music, e por ele mesmo estar sempre perto dessa atmosfera é convidado a fazer parte do Projeto encabeçado pela banda black, Unidade Móvel. A ideia era resgatar, segundo a nota na folha sobre o show, o formato de programa de auditório de Black Music norte americana, o local escolhido, Sesc Pompéia, dia 20 de junho de 1997. 
Pelo que entendi foi um show que teve dançarinos e coreografias no palco, afinal, era resgate de programa de auditório de música negra, “era manifesto de recuperação da memória da música Black brasileira”. No repertório “balanço e suingue de Gerson King Combo, Toni Tornado, Wilson Simonal, Robson Jorge e Lincoln Olivetti, Cassiano, Lady Zu, Jorge Ben e Tim Maia (da fase "Racional", quando cantava em inglês), além do rap paulista, de Ed Motta e Fernanda Abreu.”

Além de Pedro Mariano os outros convidados foram: Skowa, Lady Zu, Thaíde, Claudio Zoli, João Marcello Bôscoli e Marcelo Munari. Infelizmente não tenho informações de como foi a participação do Pedro e nem qual foi a canção ou se foram “as canções”.
Praticamente um ano depois de ter cantado no Festival de Jazz de Montreux em homenagem a Elis, recebe mais um convite para ser um dos artistas a homenagear Elis no Especial Som Brasil da Rede Globo. Dias antes Milton Nascimento confirma presença para o show e no dia 08 de julho de 1997, mais uma vez, ele e Milton fazem o duo encerrando o show com “Maria Maria”, ficou lindo! Antes, porém, Pedro cantou acompanhado pela banda de amigos, com João Marcelo na bateria, a canção de Ivan Lins e Vitor Martins “Aos Nossos Filhos”. 

Ele entrou para interpretar “Aos nossos filhos”, após ser exibido trechos de vídeos de Elis falando dos filhos e cantando essa canção, ele surge pra interpretá-la também. A última frase dela no vídeo, antes de Pedro entrar é “eu sei o que eu quero, fundamentalmente que meus filhos cresçam bem” ai surge ele sentado no chão, tal qual a Elis a interpretou no show “Grandes Nomes – Elis Regina Carvalho Costa”, da Rede Globo de 1980. 
Pedro surge todo de azul. Um tom cinza bem claro na calça e a camisa com azul forte, e uma luz azul, e ele solta sua voz serena, limpa, depois no meio da canção levanta do chão para continuar cantando com força o restante da canção. A interpretação que Elis faz no especial é o tempo todo sentada.
Além de Pedro e Milton outros artistas que participaram da “festa” foram: Alcione, João Bosco, Angela Maria, Zizi Possi, Ivete Sangalo, Nana Caymmi, Sandy, Marina Lima, Sandra de Sá, Renata Arruda, Leila Pinheiro, Zélia Duncan, Fafá de Belém.

Pedro Mariano no Som Brasil Elis Regina - Globo - 1997
https://www.youtube.com/playlist?list=PLF8e_hFue3bFfdDvA7rQ2XUd5ElJCgpQl

*****************************************
Teve ainda no segundo semestre de 97, Pedro Mariano na 2º edição da Cd EXPO (Feira do Mercado da Música da América Latina). Essa “Expo” aconteceu no Pavilhão de exposição do Riocentro em Jacarepaguá, Rio de Janeiro, de 29 de julho a 03 de agosto de 1997. 
Foi a festa de lançamento dos CDs Single, inclusive o CD Pedro Camargo Mariano teve sua versão single, 2 cds transparentes, um vermelho e outro verde. E, claro, feira de Cd teve muitos shows, li matéria que falava de uns 80 shows, e os destaques foram Arnaldo Antunes, Gabriel O Pensador, J.Quest, Planet Hemp, Falcão, Pedro Camargo Mariano e Fundo de Quintal. Segundo consta Pedro Mariano se apresentou no dia 01 de agosto no palco principal da feira.

*****************************************
Mais uma vez, o Tuca, agora em 97, (21/08/97), se torna palco para mais uma apresentação de Pedro Camargo Mariano e João Marcello Bôscoli, eles foram convidados pelo diretor do Teatro do Tuca, Sérgio Rezende, a fazerem um show em homenagem ao aniversário da PUC (51 anos).

O PADRINHO MUSICAL

O Projeto “Novo Canto” da rádio JBFM apresentava novos talentos de nossa música, e todos os novos talentos recebiam um convidado, o “padrinho”. Em 1997, o Terraço Rio Sul, do Shopping Rio Sul, era palco para a apresentação das estrelas. E, em 24 de setembro de 1997, Pedro Camargo Mariano foi o nome escolhido para se apresentar, e, João Bosco, o seu padrinho.

Lembro que uma vez o Pedro falou a respeito desse show, disse que era começo da carreira e que se apresentou ao lado de João Bosco, que ele é o seu “padrinho” e que em homenagem ao João Bosco criou o hábito de se despedir em seus shows com um: “obrigado, geeente!” Pois é assim que João agradece. Tanto que um dos álbuns do João Bosco tem esse nome.
Nesse dia do show, saiu uma pequena matéria no “O Globo” o título era: “Tiete e ídolo no palco”, a matéria dizia que João Bosco estaria presente mais como espectador do que qualquer outra coisa. E esse termo, “espectador” se justificava pela frase no final da matéria que é atribuída a João. A pequena matéria falou sobre a relação João e Pedro. João disse que conhecia o Pedro desde bebê, mas que só no ano passado, então 1996, no Festival de Montreux, que ele, João também esteve presente, e só ali se deparou com o cantor Pedro. E foi nesse dia de 96 que Pedro lhe fez um convite para que o apadrinhasse em um show carioca, ele prontamente aceitou e o dia chegou! Recentemente vi uma entrevista do Pedro em que, Pedro disse que foi a produção do Projeto que pensou no João Bosco para apadrinhá-lo e que coincidentemente o João seria o escolhido. E a matéria de o Globo encerra com as palavras de João: -“Vou lá para me emocionar, para me orgulhar dele.”
Segundo o Pedro, o João Bosco abriu a noite cantando duas canções e depois o chamou e juntos cantaram Corsário.

******************************************************

É! 97 foi um ano do lançamento e li várias matérias se referindo a ele assim: “Pedro Camargo Mariano o artista da MPB mais badalado do momento.”

Arquivo de Aline Pedroso
Além desses “momentos de 1997” pelas minhas consultas, que se restringiram aos jornais Folha de São Paulo e O Globo do Rio, e uma “olhadela” no Estadão consegui pincelar que ele fez shows, em Campinas, Ribeirão Preto, Belo Horizonte, Porto Alegre, pelo menos esses estavam em uma citada “turnê Pocket” e em entrevista, ele próprio falou também de ir para algumas dessas cidades.
Rolou o primeiro show no Programa Bem Brasil da TV Cultura (palco do Sesc Interlagos) dividindo o programa com Daúde (16/11/97).
Arquivo de Aline Pedroso
O programa foi ao ar no dia 07/12; se apresentou no Teatro Sesi da Paulista em São Paulo (18/11/1997); Teatro Sesc São Carlos (29/11/97). Além das cidades já citadas anteriormente ainda fez Sesc Santos (05/12/97) e Sesc Pompeia 11 a 13 de dezembro. Convidado também para show de inauguração da Saraiva Music Hall do Shopping Eldorado (17/12/97).

*********************


Em um bate papo da UOL nesse início de carreira apareceram os amigos da adolescência, o Daniel Porciúncula que fez parte da Banda Confraria, e alguns colegas do Pueri que ele não se lembrava, mas uma delas fez questão de dizer: “eu era aquela garota que ficava vermelha de tanto rir das suas piadas na arquibancada”... e depois complementou “desde os tempos do Pueri eu tinha certeza de que você iria começar a cantar!! Voce sempre foi um cara mais do que demais e tem uma ótima voz, além de ser um bom contador de piadas”.Mais uma característica de Pedrinho, o piadista do colégio.








1998 

Arquivo de Aline Pedroso
O ano começou com trabalho, 25/01/98 - 444º aniversário de São Paulo, e inúmeras comemorações pela cidade, uma delas aconteceu no Sesc Itaquera. Nesse palco do Sesc Itaquera, a presença foi de vários artistas, dentre eles um único paulista, Pedro Mariano, os demais foram: Zeca Baleiro, Rita Ribeiro, Vânia Abreu, o encerramento do evento ficou por conta de Chico César.



Arquivo de Aline Pedroso
Em março de 98, é lançado no mercado mais um Projeto com o Pedro. A Revista Placar em uma de suas edições trazia junto um CD, o“Agita Brasil” foi uma parceria Sony Music, Revista Placar e selo Epic. O Cd conta com 15 faixas de canções falando de Futebol. O Cd foi criado para agitar a copa do mundo de 98. As canções: Na cadencia do samba (Que bonito é) em duas versões; A taça do mundo é nossa; Voa canarinho; Pra frente Brasil; Um a um; Agita Brasil (Balança Brasil); Goool!! Brasil!; Camisa 10; É uma partida de futebol, Filho Maravilha (Fio Maravilha);Aqui é o país do Futebol; Brazuca, Irresistível e Romário canção que ficou a cargo de Pedro Camargo Mariano...Romário foi cortado da copa de 98, mas a canção acabou servindo de homenagem a ele pelo Tetra em 94 e também por ter sido escolhido, pela Fifa o melhor jogador da Copa. Essa canção (Romário) foi originalmente gravada também pela Banda Bel, os autores são: Teixeira, Marruda e Imperatore 

O 11º Prêmio Sharp da Música aconteceu no dia 13 de maio, no Teatro Municipal do Rio, e Pedro recebeu a sua primeira indicação em sua fase profissional, categoria revelação pop/rock, concorreu com Rita Ribeiro e Zeca Baleiro que acabou levando o prêmio desse ano de 98.
Em 98 a Rádio Musical FM era a rádio em São Paulo que abria espaço para a MPB, e foi o segundo ano de parceria com o selo Dabliú lançando o CD “Gema do ovo 2” que nada mais era que uma coletânea pra mostrar o novo panorama da nossa música, os novos talentos. O palco para o lançamento do CD de 98 foi o Sesc Vila Mariana. Claro que Pedro Camargo Mariano não podia faltar nessa coletânea e a canção foi Encontros.
O lançamento do Cd se deu em 4 dias de show, de 2 a 5 de julho, e em cada dia 5 artistas: Pedro se apresentou no primeiro dia ao lado de Ceumar, Daisy Cordeiro, Paulo Padilha e Laura Finocchiaro.
Ainda em julho, Pedro Mariano mostra, mais uma vez, seu lado cidadão e se junta a outros artistas na campanha “Nordeste Urgente” que aconteceu no Memorial da América Latina, foram noites e noites de shows e a entrada eram 3 kg de alimentos, e em cada dia, um tipo de alimento.
O show do Pedro, pelas notas dos jornais aconteceu no dia 04 de julho e o alimento do dia foi leite em pó.
Nesse mês de julho de 98 a agenda foi concorrida, principalmente nas duas últimas semanas, ele fez uma temporada de terça a quinta (21,22 e 23; 28,29 e 30) no Teatro do Crowne Plaza, hoje não existe mais esse teatro. 
Esses shows contaram com participação de Jair Oliveira, na época, Jairzinho nos violões, além de Max de Castro que tocava na banda do Pedro, Edu Martins no Baixo e Tuto Ferraz na Bateria e Keko Brandão nos teclados.
Esteve presente na Festa da MTV em agosto de 1998.
Já participando do Projeto Artistas Reunidos e se apresentando as segundas no Supremo, ele aproveita e começa a apresentar o seu show por lá, como foi no começo de novembro de 98 se apresentando de quinta a sábado.
Em novembro de 98 também é convidado para fazer parte do elenco de artistas do especial da TV Record, pelos 50 anos - Recorda Show - convidado para cantar Como Nossos Pais no especial referente aos anos 70.


ARTISTA REUNIDOS...JULHO DE 1998 A DEZEMBRO DE 1999
Palavras de Tom Zé
"Quando chega ao ponto que já floresce alegria, ah! Meu senhor tem muita coisa atrás, Nossa Senhora! Por exemplo, Artistas Reunidos, meia dúzia de rapazes, que um pensa de uma maneira, resolve o problema de um jeito, tenta uma conformação, uma visão de mundo de um jeito, outro faz pelo avesso, outro pelo avesso faz, tocando junto por que eram amigos, mas cada um, com uma vibração da Luz completamente diferente.
Então a gente tem essa coisa plural de vários artistas, cada um se caminhando, se desdobrando em ideias, enfim, uma alegria, uma felicidade, uma coisa pra gente se divertir, matar a sede, matar a fome"



O primeiro registro nos jornais, que eu encontrei, sobre os “Artistas Reunidos” é de julho de 97, mas não em destaque, o nome aparecia no release do show do Simoninha em que estava escrito.
Simoninha: O trabalho mais recente do músico, filho de Wilson Simonal, foi realizado junto com os irmãos Pedro Camargo Mariano e João Marcello Bôscoli. Além deles, Simoninha já fez parte da Banda do Zé Pretinho, de Jorge Ben Jor, como tecladista. 
No Supremo ele faz show que integram o projeto Artistas Reunidos, desenvolvido também por Jairzinho, Daniel Carlomagno e João Batista” (Guia da Folha)
Recentemente assistindo a um documentário sobre o "Artistas Reunidos" essa temporada que Simoninha fez no Supremo em 97 em que ele convidou os amigos que o cercava para umas participações (Pedro Mariano, Jair Oliveira, Max de Castro entre outros), foi a "luz" para chegar ao Projeto.

Nessa época também, final de 97 começo de 98, João Marcelo, Simoninha, Pedro, Max, como já foi dito, andavam bem próximos; João já pensava em abrir sua gravadora, a Trama; Simoninha que tinha também proximidade com o Jair que havia retornado de Boston, da Berklee, junta Jair aos amigos e eles passam a se encontrar nas tardes de sábado para umas partidas de futebol na casa do Jairzão, todos solteiros.(não tenho muita certeza sobre a solteirice do João, acho que João já estava com Emanuela Carvalho) e, além deles ainda tinha o Daniel Carlomagno, e Luciana Mello, após essas partidas rolava as famosas jam sessions.
Juntando as matérias de jornais, foi assim, depois da temporada do Simoninha, e, por conta das jam sessions que rolava todas as tardes de sábado depois da partida de Futebol na casa do Jair Rodrigues, e por ser os times formados por pessoas que transpiravam música, isso não podia dar em outra coisa. Decidiram transformar essas “Jam sessions” entre amigos, em algo público, um “ensaio aberto”, aproveitando o talento de cada um.
Nesse documentário o Pedro e Daniel dizem que foi uma forma de eles se mostrarem, aparecerem, se aproximar do público, afinal, primeiro eles não tinham espaço na mídia, depois Pedro havia lançado seu cd que não vingou, Jair voltando ao Brasil queria retomar os trabalhos na música, Simoninha também estava lançando seu primeiro cd, Luciana, Max que é músico, que estava trabalhando junto com o Pedro tocando em sua banda, queria se lançar como produtor e artistas solo, Daniel Carlomagno queria o mesmo, dai juntos chamaram a atenção. 
Simoninha disse que não havia uma casa, um espaço em que fosse natural as "Jam Sessions", com sua apresentação no Supremo é que perceberam que o Supremo poderia ser o espaço.
E foi assim que no segundo semestre 98 até o primeiro semestre de 99, por um ano, praticamente todas às segundas feiras, o Supremo se transformou no endereço da moçada que estava chegando no cenário musical brasileiro. A Oscar Freire, nº1000 (área nobre de Sampa), no final da década de 90 era reduto de uma galera animada e jovem, e para animá-los ainda mais: Jair Oliveira, Max de Castro, Daniel Carlomagno, Luciana Mello, Simoninha e Pedro Mariano.
Creio que tenha sido uma experiência incrível para eles, como também diz o Simoninha, esse momento foi um momento de aprendizado, de crescimento, onde eles, os artistas, tinham que trabalhar a vaidade, pois eram 6 artistas com talento, e cada um tinha seu momento de brilhar, e tinha que respeitar o momento do outro brilhar, então se alternavam nas apresentações. E além deles ainda tinham que dividir o espaço com os convidados, artistas conhecidos, ou emergentes, ou totalmente desconhecidos.
Jair fala nesse documentário que rolava umas brigas de vez em quando, por "n" motivos, e como diz o Jair, em banda já é normal as brigas, e eles não eram uma banda, eram 6 artistas.


O espaço do Supremo já não era grande e ficou mais pequeno ainda, mas antes, o Daniel nesse documentário lembrou que no começo, algumas vezes tocaram para a "família madeira", Pedro já citou essa brincadeira em algumas falas em seus shows, chamavam assim porque algumas vezes não tinha público , era só mesa e cadeira. Mas, foi por pouco tempo, pois não demorou as reservas bombaram e que provocaram eles a fazerem apresentação extra. Afinal, a capacidade da casa não era suficiente para todo o talento que estava no palco, e o próprio palco era pequeno para eles e os instrumentos. E, além deles e os instrumentos, ainda tinham os convidados, todas as noites...era mesmo um desfile de talentos.
Pedro Mariano, muitas vezes, ao lembrar desses momentos, diz não saber explicar como o pequeno palco do Supremo dava conta de abrigar eles, os instrumentos e os convidados...mas cabia.
A partir de junho de 1999 eles mudam de casa, vão para a região dos bares noturnos e da boemia de São Paulo, Vila Madalena. O novo endereço era a Rua Inácio Pereira da Rocha, 520, o bar? O Blen Blen.
Tirada na época das fotos de divulgação do CD Artistas
Reunidos. 
Os shows tinha um repertório, mas também não tinha, era um laboratório, depois de um tempo tocando o mesmo repertório, eles se sentiam livres pra alterar, não tinham a "obrigação", mas algumas canções eram difíceis de tirar do repertório, como o Pedro conta, que as vezes resolviam cantar uma canção nova, e o público, respeitava, ouvia, aplaudia, mas ai na sequencia eles decidiam vamos com uma música bem conhecida e entravam com Bebete, e era com ela também que eles encerravam o show, o Jair conta que teve versão de 30 minutos de Bebete enquanto chamavam convidados que estiveram presentes no show e na casa para o palco.
Em 99 eles são contratados pela Trama, e foi no Blen Blen, no dia 31 de agosto de 1999 que registraram o show em CD.
A ideia era registrar o Projeto. Segundo eles, não havia a intenção de seguir com uma turnê do Projeto, o que muitas pessoas, incluindo diretor da trama, por exemplo, ficou sem entender. Mas, uma coisa que todos eles sabiam que esse Projeto, tinha começo, meio e fim e em 99 havia chego o fim dele, todos estavam produzindo seus próprios discos, o que tornava difícil conciliar as coisas, e também já estava, segundo o Simoninha, rolando um desgaste.
Mas, conseguiram divulgar no Bem Brasil, chegaram a se apresentar com Artistas Reunidos nesse programa da TV Cultura para mais pessoas, não só para os frequentadores de casa noturna.



Em 2005 eles se reencontraram no Supremo, pois o Supremo estava fechando as portas, e foi uma forma de homenagear uma casa que foi o "point" deles. Parece que o Pedro infelizmente não participou desse, podemos dizer show do Reencontro. Porém, em 2011, Jair Oliveira comemorou 30 anos de carreira, e deixou registrado em DVD "Jair Oliveira 30", que foi gravado no dia 23 de julho de 2011. E nesse DVD existe um bloco dos Artistas Reunidos, os 6 amigos de 98/99 novamente juntos em um mesmo palco.
No palco sempre os 6 Artistas, Jair Oliveira, Max de Castro, Daniel Carlomagno, Simoninha, e seus instrumentos, Luciana Mello e Pedro Mariano. Além deles, ainda tinha Otávio de Moraes na bateria, Serginho Carvalho no baixo e Marcelo Maita nos teclados, quem também tocou no baixo antes do Serginho foi o Edu Martins. 
Em Cuba para o Festival Benny Moré_1999
Alguns dos convidados durante o 1 ano e meio de apresentação dos Artistas Reunidos foram:
Jair Rodrigues, César Camargo Mariano, Djavan, Kiko Zambianchi, Banda de Taiko Japão, Patrícia Marx, Maria Rita, Bernardo Vilhena, Wally Salomão, Max Viana, Flavia Virginia, Zé Geraldo, Isaac Delgado Cuba, Tomate, Chico Pinheiro, Dimi Kireef, Bid, Paula Lima, Maria Fernanda Cândido, Netinho, Otto, Curumin, Patrícia Coelho, Claudio Zoli, Bukassa, Vicente Barreto, Bocato, Thiago Espírito Santo, Da Lua, Mattoli, Dj Tubarão, Reginaldo 16 toneladas.

É! Foi assim do quintal de Jair Rodrigues para as noites de Sampa, e também para Cuba (Festival Benny Moré), infelizmente, ainda não achei nenhum registro deles no Festival, apenas deles em Cuba. Fotógrafo pelo jeito foi o Max.

Documentário SOBRE ARTISTAS REUNIDOS https://vimeo.com/133861233

PRIMEIRA PARTE: http://pedromarianoavoz.blogspot.com.br/2014/04/biografia-comentada-e-nao-autorizada.html

SEGUNDA PARTE http://pedromarianoavoz.blogspot.com.br/2014/04/biografia-comentada-e-nao-autorizada_18.html


BIOGRAFIA COMENTADA E NÃO AUTORIZADA PEDRO MARIANO

PARTE II



Logo após a perda da mãe, eles ficam com a avó e o Tio Rogério (não tenho certeza) é o que parece pelo texto do César no livro em que conta sua biografia. César ainda estava organizando sua vida em São Paulo, voltando a morar na capital Paulista, depois de um tempo no Rio de Janeiro, aluga um apartamento e trás pra perto dele novamente, Pedro e Maria Rita. João fica com o tio Rogério, mas sempre por perto, e não demora muito e volta a morar com César.



César estava apaixonado e envolvido com a jovem Flávia, Flávia Rodrigues Alves, bisneta do presidente Conselheiro Rodrigues Alves. E, para apresentá-la aos filhos, e para um primeiro contato combinam um passeio ao zoológico, segundo ele conta em seu livro:


“...almoçamos todos juntos e, no final do dia, parecia que já se conheciam havia anos.
Nos dias que se seguiram, senti que Flavia tinha tirado um peso dos meus ombros e estava apaixonada pelas crianças, e as crianças, por ela.”

Foto de um livro didático encontrada por Roseli Pedroso
Flávia os visitava com freqüência, e em um dia em que César viajou para o Rio de Janeiro, pediu que ela desse uma olhada nas crianças, apesar de tê-las deixado sob os cuidados da babá que cuidava deles desde pequenos. Ao chegar no apartamento ninguém em casa, a babá havia saído com as crianças e retornou muito tarde, quase meia-noite. Desse dia em diante ela decidiu morar com eles.
A forma com que Flávia chegou e cuidou de todos, além dos filhos e, do próprio César, da carreira dele (e aqui, é um entendimento meu), fez com que ganhasse mais uma canção de César “Íntima” (Ele já havia composto, para a sua "princesa", a canção, Flavia).
Essa canção não existe em trabalhos do César foi feita exclusivamente para roteiro de um dos clipes de um especial que foi ao ar na extinta TV Manchete “A Cesar...” dirigido por Solano Ribeiro em 1984 e ganhou o prêmio "Tucano de Ouro" no Fest-Rio.
E esse clipe “intima” foi gravado em locações em Embú, Centro Cultural São Paulo e o Gasômetro em São Paulo, o clipe está disponível no youtube e pode se dizer que é o primeiro clipe do qual Pedro participou.


Pedro estudou no colégio Pueri Domus, na unidade Verbo Divino, em Santo Amaro. Pelo que contou Maria Rita no Programa “Tempos de Escola” (da TV Futura, apresentado por Serginho Groisman), tanto ele como João Marcello eram “fogo”! Certa vez, um professor percebendo que ela era irmã deles, vira e pergunta: - Você não é igual aos seus irmãos, né?!

Uma curiosidade curiosa (rs rs) não era criança muito ligada a televisão, preferia brincar na rua, jogando taco, empinando pipa, futebol em campinho de terra, jogar futebol de botão, andar de bicicleta, entre outras atividades, mas se tinha uma coisa que curtia assistir na TV, era as comédias de Jerry Lewis e o Filme Tubarão, e a curiosidade é que ao invés de tapar os olhos pra não ver o ataque do tubarão ele tapava os ouvidos (rs rs), claro trilha sonora assustadora de John Willians. Famosa essa né?! E eu por curiosidade fui “curiosar” sobre essa música, descobri que ela só tem duas notas que se alternam. (eu não sabia kkk). Será que era isso que o irritava?! (brincadeira) E o primeiro filme foi lançado no ano que o Pedro nasceu (06/07/75).

Já tentei descobrir pratos preferidos dessa pessoa, já me disseram, no caso, a avó, bolinho de chuva, mas esse nem vale, porque nesse caso, eu que praticamente a induzi; outro prato simples e que disseram que ele gosta muito é bife acebolado. Mas, o que observei de todas as vezes que tento descobrir isso é que a pessoa, pra quem pergunto fica um tempo pensando e não concluindo nada, e ai pude concluir que ele é um bom prato, come de tudo, e ai fica difícil da pessoa dizer do que ele realmente gosta, simples assim.

Apresentada no Programa de Internet
Garagem do Faustão
Pouco depois de completar 11 anos, ganha mais uma irmãzinha, Luisa. Creio que foi também por essa fase, melhor, um pouco depois, que adquiriu seu primeiro disco, um LP do Kiss, “Lick it up”, o primeiro disco em que eles decidiram tirar a maquiagem. Ele lembrou disso em uma entrevista para o Programa Bossa ao Vivo, da Alpha. Eu lembro de ele contar esse fato em uma outra ocasião e dizer que o irmão dele quando o viu chegar com o LP do Kiss, “quis” morrer, ficou doido e reclamou com o César que com toda sua experiência disse: “Calma, isso vai passar.”...e passou. Tanto que ao se referir a essa aquisição diz que todo mundo tem direito a errar. (Realmente a vida é feita de fases). 

César, em entrevistas, diz que todos os instrumentos ficavam à disposição. Nada era trancado, nada era proibido e também nada era forçado. Ele estava sempre disponível para quaisquer dúvidas, mas a escolha foi sempre dos filhos. 
Como já foi dito, desde pequeno Pedro Mariano já demonstrava interesse pela música. Vi citações dele de que ele vivia cantarolando e algumas vezes ouviu de Flávia: “Pare de cantar e vem comer”. Seu irmão, João Marcello, desde quando o Pedro cantava usando os fones de ouvido como microfone, chegou a externar ao César que achava que o Pedro tinha todo talento para o canto, mas segundo decisão tomada pelo próprio César, isso era algo que o Pedro teria que descobrir sozinho. 
Em entrevistas ou depoimentos, Pedro diz que, no primeiro momento, a ideia não era ser cantor. Achava que isso qualquer um poderia fazer (creio que é porque ele faz com naturalidade). Ele queria “aprender” instrumentos, piano, violão/guitarra, trompete, mas não rolou. Sempre que fala sobre isso em entrevistas, brinca, diz que para o violão ele tem muitos dedos e o violão poucas cordas; para o piano, que esse tem muitas teclas e ele poucos dedos, além do que arrumar professor de piano, quando criança, com um pai do nível do dele também não era fácil e o trompete, quando o pai disse o tempo de estudo para ele ser um médio trompetista ele desistiu...e, como ele costuma também dizer, descobriu que o instrumento estava dentro dele (o gene da mãe falou mais alto).

Apresentada no Programa Cocoricó
Mesmo já tendo o dom, ele estudou canto. Sei que uma das suas professoras foi a Maria Alvim e pelo que entendi foi para aprender as técnicas para aquecer voz e outros detalhes técnicos que um intérprete precisa ter conhecimento. 
Na adolescência, ele descobre um instrumento com o qual futuramente iria ter intimidade: a bateria. Essa descoberta se dá por conta de que seu irmão João Marcello, volta a morar com ele, e o João é baterista e a bateria ficava ali, olhando pra ele. O único problema era que ela era montada para destros, o que dificultava pra ele que é canhoto. Porém, não demorou pra descobrir um baterista de uma das bandas que ele formou, canhoto como ele, e ai a coisa engrenou melhor. Hoje em dia, ele mesmo tem tocado em muitos dos seus shows, além de cantar. Mas deixa claro, que ele é um intérprete que toca bateria, não um baterista que canta. Faz questão também de tocar bateria em algumas faixas de seus CDs.

Já que o Pedro tinha que se descobrir cantor por conta própria, por que não dar uma “forcinha”? Acho que foi pensando nisso que João Marcello resolveu o “problema”. João tinha uma banda chamada “Feiche éclair” e jogou a isca. Disse ao Pedro, que na época tinha seus 12 anos, que um dos backing vocals da banda havia ficado doente, que os ensaios estavam prejudicados e que ele precisava de uma ajuda para poder ver se os arranjos estavam bons. Segundo o Pedro, ele foi aos ensaios totalmente na ingenuidade. Foram uns cinco ou seis ensaios. O repertório era formado por duas músicas: "The Union Of The Snake” do Duran Duran e uma inédita da banda.

Chegou o dia do show e João pediu para ele ir arrumado, alegando que talvez o cantor ainda não estivesse bem. Quando chegou a hora de entrar no palco, o João disse que era mentira, que o cara não existia e que ele tinha que subir ao palco e cantar com a banda. Não deu tempo nem pra ele pensar, já o colocaram no palco com microfone na mão e uma luz centrada nele e aí...foi. Pedro disse que só lembra de ficar olhando fixo para o pé (nossa imagino a experiência!). Mas o resultado não foi dos piores, afinal, mesmo pego de surpresa e tímido, o talento estava ali. Os presentes que o conheciam disseram que ficou bom, alguns se disseram até surpresos por não saberem que ele cantava. 
E foi assim, depois dessa experiência que brotou nas cabeças de jovens, adolescentes na verdade, a ideia de uma banda. Pedro juntou-se aos amigos, aqui já rola a ideia de “fazendo música e jogando bola”, pois era a galera do futebol. Fred Godoy, que estudava com ele havia muito tempo, tocava piano. Fred é filho do Amilson Godoy, músico pianista e irmão do Amilton Godoy, pianista do Zimbo Trio (eitá mundo pequeno!). Toda banda tem que ter um galã, e esse galã ainda era craque de bola, Ricardo Natale, tocava guitarra. O Miduca era seu melhor amigo, segundo Pedro, não era galã, mas era doido de pedra, muito engraçado (outro tipo que, segundo Pedro, toda banda precisa ter). Miduca não queria ficar de fora e foi aprender bateria, mas primeiro o João fez um teste e viu que ele tinha jeito, ele foi estudar na escola de música CLAM do Amilton Godoy, tio do Fred, e hoje é um músico de talento. 
Essa primeira banda (em 87/89), o que mais fazia era animar festinhas. O repertório basicamente era “Ultraje a Rigor” e “Paralamas” e às vezes algumas do Michael Jackson. Esse sempre esteve presente nos ensaios e pelo que ele conta os ensaios eram sérios, pelo menos pra ele. Decorar tudo, montar setlist, e como é natural no adolescente tinha muita energia. E ele ainda jogava futebol e andava muito de bicicleta. Mas, mudanças ocorrem no percurso; um muda de colégio, outro muda o foco, o interesse, e a banda se desfez.
Com 14 anos Pedro também passa por mudanças, o pai resolve abrir o seu próprio estúdio de gravação, uma produtora de jingles para peças publicitárias e a família toda se mobiliza para ajudar na montagem, decoração, e a produtora começa a funcionar. O pai resolve lhe fazer um convite para trabalhar como office-boy. Ele estudava no período da manhã e à tarde ia para a produtora, fazia os bancos e outros serviços e depois ficava no estúdio, ajudando como técnico de gravação e produtor de estúdio do Daniel Carlomagno. É nesse período que ele conhece o Daniel, que é um dos compositores que tem estado presente em seus CDs, compositor das canções como: “Nau”, “Só chamar”, “Tá todo mundo”, “Distante Calma”, “Furacão”, “Quarto Vazio” e “Inverno” e mais recentemente "Enfim" e  "Casas".
Pedro viveu todo o dinamismo de uma produtora, que foi, como ele mesmo se referiu, a sua “Faculdade de Música”. E, li uma entrevista “antiga” do César, falando a respeito de compor, fazer arranjos para publicidade, do que se pode fazer, como colocar 5 harpas, um coral de 120 vozes, coisa que não é viável em um disco, nesse tipo de trabalho se pode explorar muitos sons. 
O pai também o ajudou mais ainda no aprendizado, fazendo com que ele gravasse seu primeiro jingle. Eu creio que para não criar tensão, o pai usou de uma “pegadinha”: disse que havia acabado de montar a sala de colocação de voz, que estavam com microfone novo, que tudo já estava ligado e perguntou se ele se importaria de fazer uns testes de voz para testar a sala. Mais uma vez, ele ingenuamente aceitou. Deram-lhe uma folha com uma letra de uma música escrita, colocou os fones de ouvido, ouviu a base e seguiu a sugestão de melodia do pai...e assim, uma campanha de um álbum de figurinhas é a primeira a ganhar a voz do Pedro. 

Teve também uma campanha que fez para uma marca de café, que foi a primeira a ir ao ar. Em publicidade tem que se cantar de tudo, e rolou coisas engraçadas como a música dessa campanha para uma marca de café, era um rap e eram duas vozes: a de um negro e a de um branco. Ele teve que fazer as duas vozes e fez! (Pra quem imitava coiote rsrs. E não recebeu em dobro por isso).

Do livro "Solo César Camargo Mariano memórias"
Luisa, Maria Rita e Pedro
Reprovado no primeiro colegial, ele muda de turma. Por conta disso, conhece o Sergio Jordy e o Kiko Attuy, dois guitarristas que colocam pilha para que eles formassem uma banda. Surge a primeira formação da “Confraria”. Conseguiu retomar o contato com o Miduca, que já estava muito mais aprimorado na bateria e o convida a integrar a banda. Miduca aceita e traz com ele um amigo da outra Unidade do Pueri, o Daniel Porciúncula para o baixo, e nos teclados o Fernandinho. Essa banda ainda tem backings, as “três Marias”( Maria Rita, irmã do Pedro, Maria Fernanda e Maria Paula).

Essa primeira formação da “Banda Confraria” começa fazendo shows para a turma do próprio colégio. O Pedro conta que estavam ele e o Kiko tocando no intervalo das aulas e começou a juntar uma galera. Passaram dias fazendo isso e cada vez mais gente ia chegando. Ai decidiram pedir emprestado o Anfiteatro do colégio, foram liberados, desde que, claro, fora do horário de aula. Pronto! Agora era só fazer a divulgação. Conseguiram ainda convencer a direção de deixar eles tocarem no Anfiteatro no intervalo da manhã, para que assim mais gente pudesse ter a ideia do que rolaria à noite no mesmo lugar. Passaram de sala em sala, das oitavas séries e do colegial, avisando que às 10 da manhã no anfiteatro eles dariam uma palhinha do que seria o show de logo mais à noite. Pedro conta que às 10 horas o auditório estava lotado, que tinha gente “saindo pelo ladrão”. Como era apenas uma palhinha, cantaram umas 5 músicas. O resultado foi bom, apesar de ele dar os créditos mais a quebra de rotina do colégio do que ao talento da banda. À noite, ele, o Kiko, o Jordy e as “Três Marias” fizeram ferver o anfiteatro e tinha muito mais gente pra ver. Pra ele essa foi uma experiência e tanto. Ele trata essa lembrança como sua primeira apresentação “profissional”, e diz que depois disso os dias dele nunca mais foram os mesmos. O repertório foi formado por temas inéditos do Kiko, e uns hits do Lulu e George Michael.
Agora, feita essa primeira apresentação, dá-lhe ensaio. E ai rola o primeiro contrato. Flávia (a boadrasta) fica sabendo pelo contador deles, que era chefe de uma turma de escoteiros, de que haveria uma festa e que eles precisavam de uma banda. Ela sugere a “Confraria” e faz o meio de campo. Como era uma festa, o negócio tinha que ser mesmo um som mais animado, de festa mesmo, mas, mantendo as suas especialidades (Lulu e George Michael).
Esse show é o primeiro que contou com a presença do pai na plateia. Banda completa, figurino, coreografias... Só teve um detalhe: o Jordy, segundo ele conta, não tinha mesmo vocação para músico. Durante o show a guitarra estava desafinada e Jordy, animadérrimo e eufórico, não percebia e nem via os amigos dando-lhe um toque para afinar a guitarra, fato que fez com que o Kiko, ao passar pelo Jordy, desligasse o amplificador e o amigo, como estava totalmente eufórico, nem percebeu.

Mais uma vez, mudanças no percurso, Miduca se muda para Miami para estudar e o ano de 92 é de vestibular. A banda se rompe. 
Sai do Pueri e vai para o Objetivo. Nessa época com seus 17 anos, o João e o Simoninha tinham uma banda: a “Suíte Combo”, e ele freqüentava os ensaios. O Max de Castro também ia aos ensaios e ainda trabalhava de roadie nos shows. Pedro contou em seu blog, que também curtiu as vezes de Roadie do irmão, ajudando a montar e desmontar, limpando peça por peça e criando um vinculo com a bateria. Começou a andar mais e mais com o Max. No Objetivo, Pedro conhece o Festival Interno do Colégio Objetivo, ou apenas, FICO. Fica animado para poder participar de um festival e comenta com o Max. Os dois resolvem assim montar a segunda formação da “Confraria”.
Essa nova formação conta com Max de Castro na guitarra, Dudu Lima na bateria, J.J. Franco no baixo e o Pedro, claro. Pelo que sugere em suas entrevistas, tinha uma pegada boa de rock. Eles tocavam muito Living Colour. (A banda que estava com tudo na época) 
Antes do FICO, a banda se inscreveu no Festival da Cultura Inglesa, com o repertório de Living Colour. Ganhou o prêmio de melhor banda. Max de Castro já compunha e dessa época da “Confraria” saiu “Pra Você Lembrar”, que está no disco Samba Raro, que é bem diferente da versão da Confraria.


Além dessa, Max ainda compôs “Agosto”, que o Simoninha gravou no Volume 2. Para o FICO se inscreveram com “Pra Você Lembrar” e levaram dois prêmios: melhor banda e melhor instrumentista com o J.J. (Dois festivais e três prêmios).
Fest Valda, a coqueluche dos festivais, tinha grandes gravadoras e patrocinadores por trás. Era um festival bem estruturado e as apresentações rolavam no antigo Palace, em moema, São Paulo, o mesmo lugar do Citibank hall, que fechou suas portas em 2012. Onde ele fez lançamento dos seus CDs, e por conta disso tinha uma relação afetiva com a casa. Nesse não teve jeito, ficaram com o terceiro lugar, pois como era um Festival que tinha toda pompa, algumas bandas apelaram, levaram torcida, fizeram aquele tipo de música que você acaba cantando junto mesmo não sendo lá essas coisas.
Banda nessa fase era uma aventura. Não rolava grana e por conta disso o Dudu Lima sai. O J.J Franco, baixista, que havia ganho o prêmio de melhor instrumentista do FICO, recebe uma proposta para tocar com o Benjor em definitivo, já que ele tinha gravado com o Benjor tempo antes. Ele aceita e integra-se a Banda do Zé Pretinho. Sobram o Pedro e Max, que decidem dar uma parada com banda. 
Em 1993, Pedro e Max trabalhando com publicidade, ficam sabendo da nova etapa do Fest Valda, mas não se animam porque não tinham músicos; mas as coisas quando têm que acontecer não tem jeito. Carlos Miele, dono da M. Officer, uma das patrocinadoras do festival e amigo da garotada, diz ao Max que não viu a fita deles na classificatória e o Max disse a ele que não mandaram mesmo, que não estavam empolgados para entrar no Festival. Miele põe a pilha, dizendo que estava faltando uma banda como a deles, e que se mandassem uma demo ainda naquela semana, ele daria um jeito. (anjos existem rs rs). Isso foi um estímulo que os fizeram correr contra o tempo. Resolveram conversar com o Daniel Carlomagno, que trabalhava na produtora do César, que sugere um amigo dele, João Marcelo Viviani para tocar bateria. O João indica o amigo dele, Roger, para o teclado, Max traz o Carlão para a guitarra, e tinham que achar um estudante para a banda, pois o Fest Valda, era um Festival Intercolegial, portanto, as bandas concorrentes tinham que ter pelo menos um estudante. Eles tinham um amigo, o Rodrigo Loirão, que não sabia tocar nada, mas os acompanhava sempre, e pra tocar uma pandeirola tava bom. Assim gravaram a demo com “O Fim da Inocência” do Daniel Carlomagno, uma música muito boa, tão boa que foram selecionados entre as 60 músicas de 800 inscritas. 

Essa edição de 93 do Fest Valda rolou nos dias 30 de junho, 1,2 e 3 de julho, mais uma vez no Palace. Apresentação de Zeca Camargo e Astrid Fontenelle, foram selecionados entre os 16 finalistas e ganharam. Mas, não foi assim tão simples: subiram no palco com uma plateia arredia, sofreram preconceito. A garota da banda que ficou em segundo lugar nesse festival partiu para ignorância, achou que a Banda Confraria ganhou, não porque eles eram melhores e sim porque um dos integrantes da banda tinha uma filiação de peso, isso é motivo mais do que suficiente para mexer com o Pedro. Mas isso não os intimidou, pelo contrário, parece que o provocou a mostrar o porque de estar ali. E foram pra cima mesmo e arrebentaram.
Assisti um compacto do que foi esse Festival, e senti que a garota estava muito confiante. Pelo pouco que vi, esse festival teve um nível muito bom de bandas, e um público bem animado, mas o Pedro não deixou mesmo a peteca cair e mostrou a sua assinatura vocal e presença de palco, que o faz ser hoje, quem ele é. Como prêmio, ganharam o direito de gravar um clipe e um single. As escolhidas foram: “O fim da inocência” e “Nau”, primeira parceria de Max de Castro e Daniel Carlomagno. Tudo isso em um estúdio profissional, o Mosh, com o produtor Reinaldo Barriga. No entanto, nada aconteceu depois disso. Mesmo com um clipe na MTV, não surgiu trabalho, ninguém acreditou na banda e assim... a “Confraria” se desfez definitivamente.



César já vinha há muitos anos pensando em se mudar para o exterior, o Brasil, não tem espaço para a música instrumental, e a idéia e vontade vai crescendo e após um assalto em sua casa, na Granja Julieta, no momento, só estavam em casa, César, Flávia e a empregada, foi uma experiência que César relata em sua autobiografia e que choca. Ele decide ir embora do Brasil.
E, nos primeiros meses de 94 o pai se muda para Nova York com suas irmãs e a esposa. Ele e o João ficam por aqui. Como César disse em alguma entrevista que li se referindo àquela época: eles já têm “barba” na cara, podem se virar sozinhos. E em seu livro César diz que Pedro foi categórico:

Pai, eu sempre ouvi dizer que só sairia do Brasil depois de ter plantado todas as sementes e realizado grande parte do seu trabalho. Eu estou começando a plantar as minhas...”

Nessa fase, já maior de 18, demonstra sua personalidade forte, uma postura firme, principalmente, no que se refere aos direitos de imagem de Elis Regina. Nesse ano já dá declarações do que pensa a respeito de algum trabalho que se pretenda fazer para televisão, cinema, teatro, referente à vida e a obra de Elis. Para ele, qualquer ideia pra ser aprovada tem que ter em mente a obra da artista e não sua vida privada. O que fica de um artista é sua obra, é isso que qualquer interessado deve priorizar, nada além. 
Os melhores jingles, para ele, foram dessa fase. Já mais maduro, fez um para o extinto Cartão Solo. João era diretor de RTV na DPZ e trabalhava muito com a produtora MCR, uma das melhores do mercado. Foi de lá que veio o pedido para indicar um cantor para cantar "Você”, do Tim, que seria a música para o cartão em questão. A gravação teve o acompanhamento de um outro fera nessa área, Armando Ferrante, que fez os arranjos. Parece que se deram bem, pois depois, em 1997, ele faria o arranjo para três músicas do primeiro CD “Pedro Camargo Mariano”: “Lua pra Guardar”, “Se ela quer ou não” e “Encontros”. Como o João trabalhava na DPZ, também criava muitas peças, juntava-se ai uma turma do barulho (Pedro, João, Simoninha e Max). Duas peças que ele lembra de trabalhar junto com essa galera foi uma campanha para o cinema do Yázigi, em Inglês. E a que mais o marcou, foi a campanha para Bridgestone/Firestone. Ambas tinham pegada de Rock, talvez por isso, segundo ele, as mais gostosas e divertidas de se fazer. (É quem sabe cantar, canta qualquer coisa).
Todo esse processo, crescimento, convivência no meio musical, as bandas de colégio, do irmão, os festivais, gravações de jingles, a convivência na produtora acompanhando todo o processo de peças publicitárias, só podia amadurecer um garoto, que aos 19 anos junta-se ao irmão João Marcello para produzirem um show em homenagem a Elis Regina, no Tuca. Esse será o pontapé inicial de uma carreira cheia de obstáculos, mas corajosamente enfrentados por Pedro Mariano. Mas, isso tudo, só vou contar mais pra frente. Infelizmente, o tempo dedicado a esse hobby (de pesquisar sobre meu ídolo) não é tão grande assim como muitos pensam, então....paro por aqui, por enquanto.

3º Parte
http://pedromarianoavoz.blogspot.com.br/2015/12/biografia-comentada-e-nao-autorizada-iii.html

****************************************************************************
(Essas duas primeiras partes fiz por volta de 2009...dei uma boa parada, mas gosto de manter os agradecimentos que fiz a época devido que foi um momento a parte)

Agora os agradecimentos, o povo do Centro Cultural São Paulo (vai que eles entram aqui). Michele Marques e Milena Murno que me ajudaram fazendo uma revisão das duas primeiras partes, me ensinando um pouquinho mais da nossa gramática (rs rs), mas vou logo avisando, que muita coisa ainda deve ter passado batido, pois a revisão foi feita na correria e eu ainda inseri mais alguns detalhes. Mas, a intenção foi dar melhorada no texto, e não profissionalizá-lo. E a todos os que curtem esse espaço, e volta e meia me incentivam a continuar, dizendo que gostam da forma com que tenho tratado o espaço. Muitos que nem comentam aqui, mas me mandam e-mail. Gostaria de dizer que primeiro faço pra mim, é meu hobby, e claro, como sei que pessoas vão ler, depois para vocês. OBRIGADA!!!!!!!

Neli

BIOGRAFIA COMENTADA E NÃO AUTORIZADA PEDRO MARIANO

PARTE I

INTRODUÇÃO

No dia 18 de abril de 2009 publiquei essa “brincadeira” no primeiro “blog”, na realidade “fotoblog” que fiz em homenagem ao Pedro Mariano. Infelizmente, ou felizmente, o blog foi obrigado a mudar sua configuração para atender as novas tecnologias, e eu na ansiedade, não estava com vontade de esperar eles se ajustarem, mudei também, vim para o blogspot. E na mudança pela qual passou o blog ele perdeu algumas postagens, inclusive parte desse texto, que postei em vários posts. 
A idéia, na época, claro era dar continuidade a biografia, mas muitas coisas aconteceram, foi um período complicado na minha vida e adiei, e até hoje não conclui, promessa feita pra mim mesma, um dia eu realizo, material eu tenho. Mas, chega de explicações...Posto novamente o que postei a 5 anos atrás, com uma reedição, tenho agora mais informações após a leitura do livro “Solo César Camargo Mariano memórias”....Espero que quem nunca leu se divirta e conheça um pouquinho da história de Pedro Mariano, o nascimento, a primeira infância, antes de iniciar sua carreira, as bandas, o projeto com o irmão, o primeiro contrato e os primeiros anos como cantor solo.
Quero ainda fazer um pequeno comentário. Essa "biografia" é uma forma de homenagear aquele pelo qual tenho uma admiração como artista, como intérprete, que proporciona principalmente aos meus ouvidos algo indescritível, e que por conta disso, me fez querer conhecer um pouco quem é a pessoa por trás do artista, quem é o artista? Coisa difícil de se saber, já que nem mesmo nós nos conhecemos.


Segundo info Elis grávida de Pedro
Foi através da Internet, lendo ou vendo entrevistas, matérias, o blog dele, que comecei a juntar as informações e organizei tudo em uma ordem cronológica. Espero que ele compreenda essa "loucura". Essa biografia ainda tem muitos dados a serem agregados e, parei no primeiro cd. Torço para que a carreira dele dure muito... 
Infelizmente não terminei, Dei uma parada falando do primeiro cd. Eu poderia esperar terminar e publicar tudo, mas como já publiquei uma vez, por ansiedade é por ansiedade que estou fazendo novamente, agora com um pouquinho mais de conteúdo.


A CHEGADA AO MUNDO "TRAZENDO CONSIGO" O ESPETÁCULO FALSO BRILHANTE



“São Paulo, 18 de março de 1975 



Junior, seja bem-vindo! 

Traga mais sorrisos, como se fosse possível, ao boboca do seu pai. 

Esperamos que o nosso nenê seja uma menina e que dentro de alguns anos você e ela sacudam o Brasil como o fizeram o seu velho e cansado pai e a velha dela. 

Felicidades bichinho! 

Deus te guarde e te cubra de bons fluidos! 

Todo carinho e uma montanha de beijos dos seus amigos e irmãos 

César, Elis e João” 

(Transcrição da carta que Elis escreveu para, o então recém-nascido, Jair Rodrigues Melo de Oliveira, ou simplesmente, Jair Oliveira)




Elis se enganou quanto ao sexo do nenê. Exato um mês depois de escrita essa carta, no dia 18 de abril de 1975 às 18h45, nasce no Hospital e Maternidade São Luiz, na Avenida Santo Amaro, 800, em São Paulo, um menino, o pequeno Pedro, que segundo informações, foi registrado como PEDRO CAMARGO MARIANO, mas o que importa mesmo, é que hoje ele é: PEDRO MARIANO 
O parto parece que foi tranquilo, com a presença do pai (coisa que não era tão comum para a época) e também é o que conta a Jornalista Mônica Figueiredo em seu depoimento para o livro de Regina Echelveria, “Furacão Elis”, diz a Jornalista: 

"Quando Elis ficou grávida do Pedro, a levei no doutor Cláudio Basbaum. Tinha lido uma matéria no Jornal da Tarde e Elis comprou o livro, traduziu...Já sabia tudo sobre o parto Leboyer quando foi ao médico. 
Depois do parto do Pedro ela voltou para o quarto sentada na maca, às gargalhadas" 
(Esse parto é uma técnica que chegou ao Brasil em 1974, no qual se tenta amenizar ao máximo o trauma do nascimento para o bebê)


O dia 18 de abril de 1975 caiu numa sexta-feira, véspera de feriado prolongado. Nos jornais do dia a previsão do tempo anunciava tempo bom, sem chuvas. Não deve ter chovido mesmo, pois no dia posterior a previsão era de “mais calor”. As manchetes no dia chamavam a atenção para a Ásia; o Camboja depois de 5 anos de luta interna muda de rumo, o partido comunista toma o poder. O Brasil discutia a lei do divórcio; e também se assustava com a epidemia de Encefalite e Meningite. Em São Paulo, esse era o segundo dia de trabalho do Prefeito Olavo Setúbal na sede da Prefeitura, que funcionava no Ibirapuera; Maria Bethânia fazia temporada de shows de terça a domingo no Tuca, com preços de ingresso de Cr$ 40,00 a Cr$ 50,00 (inteira) e o salário mínimo nessa época era de Cr$415,00 (bem parecido com a média de preço “aceitável” de shows de hoje e o salário mínimo). A novela Gabriela estava em seu 5º capítulo (era a “novela das 10”); no cinema: Aeroporto-75, 007 Contra O Homem com a Pistola de Ouro. No futebol: o São Paulo era o primeiro colocado no campeonato paulista e acabaria levando o título do ano. 

Com a Avó Ercy e o irmão João_Revista Veja
Em um programa na net (RaceTv), em 2009, o apresentador Carlos Lua (fã dos Beatles) disse ao Pedro que no mesmo dia 18 de abril de 75, John Lennon lançou na Inglaterra um compacto com a canção "Stand By Me". (Taí uma música que um dia ele poderia regravar). 

Pedro é o primeiro filho da união de Antônio César Camargo Mariano e Elis Regina Carvalho Costa. Por conta disso, Elis dizia que eles tinham dois primogênitos. Os dois já traziam outros filhos de relacionamentos anteriores; ele, o filho Marcelo Mariano, hoje músico, baixista de mão cheia; ela, o filho João Marcello Bôscoli, hoje também, músico, produtor e sócio na gravadora Trama.

Pedro chegou a casa na Rua califórnia em São Paulo carequinha e quando os cabelos resolveram crescer, ainda bebê, segundo sua avó materna, Dna. Ercy, cresceram encaracolados e aloirados. Tanto que ela o chamava de "Anjinho Barroco", e segundo o próprio Pedro, sua mãe o chamava de "Anjinho do Pau oco" (mas ele era só um bebê).

Muitos acreditam que uma criança, recém chegada em uma família, traz uma boa energia e muitas vezes é um sinal de mudança boa, e com Pedro não foi diferente. No livro "Solo César Camargo Mariano memórias”, ele conta que Pedro já havia nascido, era pequeno, quando Elis diz a ele, César, que gostaria de fazer um espetáculo, e o César capta a mensagem, pois ela não disse show...Nesse momento César movido por lembranças de quando era criança, dos grandes musicais, entende que nesse projeto a música seria uma arte entre tantas outras...e se empolga e os dois começam a trabalhar no que será sucesso de público e critica.

O espetáculo, Falso Brilhante estréia dia 17 de dezembro de 1975 e fica em cartaz, no Teatro Bandeirantes, de quarta a domingo até 18 de fevereiro de 1977, só não houve espetáculo, nas quartas feiras de cinza e nos Natais. E, pelo que entendi a temporada é encerrada porque Elis se descobriu grávida de Maria Rita e não poderia fazer certas cenas no palco.

Segundo César para realizar o sonho, de montar e executar o projeto, eles venderam tudo, ficando apenas com uma casa pré-fabricada, desenhada e projetada por ele na Serra da Cantareira e uma moto. E ele diz: 

“e, nos mudamos pra lá. O resto do dinheiro e mais uns empréstimos foram para o espetáculo. Nossos bens se reduziram então a uma casa e uma moto. Fazíamos tudo que era necessário em nosso cotidiano e com os filhos montados em uma moto: supermercado, colégio, médico, pediatra, ensaios...Elis ia na garupa, João sentava-se entre mim e ela, ficando bem protegido, e Pedro, como era bem pequeno, eu o colocava sentado no tanque de gasolina, com os pezinhos apoiados nos dois cabeçotes do motor; a alça da minha bolsa a tiracolo servia de cinto de segurança para o Pedro, que ficava colado em mim. Todos usando capacetes.” 




A casa pré-fabricada na Serra também era um sonho de Elis, em um vídeo de depoimentos sobre Elis, há um depoimento do João Marcello dizendo que assim que se descobriu grávida do Pedro, a mãe já pensou em se mudar para que seu filho não ficasse exposto à poluição da cidade. 
E foi assim que o clã se mudou para uma “casa no campo”. Existe um vídeo de Elis, grávida da Maria Rita, sendo entrevistada nessa casa, com Pedro e João ao fundo. O João estava sentado em uma pedra e o Pedro, querendo imitar o maninho, quase cai ao tentar subir também em uma, Elis percebe essa cena e durante a entrevista, fala sobre estar morando ali, naquele paraíso, e completa que o único perigo daquele lugar era o “Bofe” (no caso, o Pedro) cair da pedra e bater a cabeça. O incrível desse vídeo é que ela está de costas para eles, mas é mãe e vê o que acontece.

CRESCENDO E DEMONSTRANDO PERSONALIDADE

Eles deviam adorar aquele espaço todo, no “meio do mato”. Mas, com a vida dos pais artistas que estavam sempre trabalhando, viajando, eles acabavam indo junto. Em outra entrevista, essa para o Jornal da Tarde, em 1980, na época da turnê do show “Saudades do Brasil”, Elis conta que andava muito preocupada com os filhos por conta do vai-e-vem, da impaciência das crianças em ficar muito tempo fora de casa. Contou que o César costumava dizer a eles –“Vamos brincar de que a gente não tem casa?” - E aí lembra de um diálogo que travou com o Pedro no Rio de Janeiro, quando fez uma temporada no Canecão; segue o diálogo: 

Face do Pedro Mariano
Pedro: O Rio é legal né, mãe? 
Elis: É sim, é legal! 

Pedro: Tem praia, né? 

Elis: Tem, tem sim! 

Pedro: Tem sol né, mãe? 

Elis: Tem sol sim! 

Pedro: Ôh mãe, mas não dá pra voltar lá pra casa onde mora o Bernardo? 

– Bernardo era o cão São Bernardo da casa da Cantareira. (O mocinho já estava treinando as argumentações)

Sendo filho desses grandes artistas de nossa música, Pedro cresceu ouvindo muita “Música”, e aprendendo com os pais o trabalho dedicado à profissão e o respeito à ela, além da oportunidade de presenciar na sala de sua casa outros mágicos da música. Com dois anos já despertou atenção para uma música que veio a ser sucesso. Isso é o que conta Renato Teixeira ao falar para a Revista Veja do seu grande sucesso “Romaria”, gravada por Elis. Teixeira disse: 
Parece que o culpado foi o Pedro Mariano, filho dela, que a toda hora pedia pra tocar a música “caipira pira porá

Perto dos seus dois anos e meio ele ganha uma irmãzinha; Maria Rita chega ao clã. Na casa da Cantareira, Pedro se torna o filho do meio, o filho sanduíche. 
Sua mãe, além de cantar (isso todo mundo sabe), adorava cozinhar e receber convidados (isso nem todos sabem). Sobre uma dessas ocasiões há um texto em Word, assinado por Silvio Lancelloti e que foi compartilhado entre alguns fãs, anos atrás. Eu fui atrás de confirmar a veracidade com Silvio Lancelloti, que me disse ser ele sim o autor do texto e a história ser “absolutamente verdadeira”. Trata-se de uma história deliciosa e engraçada que segue abaixo:


“POR SÍLVIO LANCELLOTI , DA COLUNA ´´COISAS QUE VIVI ``- REVISTA FLASH - 2003 


O coiote da Elis 



Finalzinho da década de 70, princípio da década de 80. Amigo de Elis Regina e César Camargo Mariano, que me chamavam, libertária e carinhosamente de Gordo, eu freqüentava, com a família toda, a sua casa – antes no Brooklin e depois na Serra da Cantareira. 




Elis adorava realizar lautas peixadas em honra aos meus pais, Helena e Eduardo, para ela a Nena e o Edu.. Enquanto César e eu produzíamos os aperitivos, os nossos filhos zoavam. E quantas e quantas vezes não tivemos que apartar as desavenças entre João Marcelo, pimpolho de Elis com o Ronaldo Bôscoli, e o meu primogênito Dado – ambos queriam ser o Batman, detestavam o papel de Robin na dupla dinâmica. 


Certa ocasião, na Cantareira, enquanto a minha Daniela brincava de Barbie com a Maria Rita da Elis e do César, percebemos todos que o Pedro, rebento do meio dos dois anfitriões mantinha-se isolado, acabrunhado num canto da varanda. João me informou com razão. Pedro adorava imitar os sons dos bichos em geral. Elis, de todo modo, o advertia de que os visitantes poderiam não gostar do barulhão. Pedro que se contivesse. Não resisti, me aproximei do garoto e disse: Pedro, você sabe uivar como um coiote? Instantaneamente, Pedro abriu um sorrisaço e passou a uivar. Magnificamente, aliás, para o constrangimento da Baixinha e para as gargalhadas dos restantes. Acabo de comprar o CD que César gravou com o Pedro, o espetacular Piano e Voz. Ah! Que cantor e que intérprete fenomenal, como a mamãe, aquele coiote sapeca enfim virou...``


(Não que eu desconfiasse da história, afinal, o que hoje ele faz com a voz, não é de se duvidar que imitasse bichos e bichos, é que sabem como é a Internet, né?! Não custava confirmar) 

É, esse dom transpirava pelos poros. Sua mãe foi a primeira a notar, segundo ele mesmo disse em uma entrevista para a rádio CBN em 2006. Ele relembra que deveria ter uns 3 anos, estava sentando na mesa (é “na mesa” mesmo, e não “à mesa”) e a mãe disse apontando pra ele: 
“Isso aqui canta que é um desassossego! Aprende as vezes as músicas até antes de mim mesmo"
E.T Vi um vídeo desse exato momento e ele já tinha uns 6 anos. 
Nessa mesma entrevista para a CBN, ele fala do irmão João Marcello, outro que via nele um intérprete em potencial. Quando ele ainda tinha apenas 5 ou 6 anos, o João (quase 5 anos mais velho) ligava os fones de ouvido na entrada de microfone e entregava pra ele que usava como microfone e cantava. Enquanto isso, o João gravava. E pasmem...eram músicas do grupo “Earth, Wind & Fire” e "Kool & The Gang". Com essa idade o inglês não deveria ser lá essas coisas, mas ele cantava, na base do embromation, mas cantava. Bem que essas fitas podiam existir, né? E ser compartilhada, claro! 

Fora isso, ele era uma criança normal. Em uma entrevista falando sobre a mãe para o Jô em 95, ele contou que uma vez foi procurar uma bola de tenis debaixo da cama com uma vela, e quase provocou um princípio de incêndio, claro que levou uma bronca da mãe.

Aos seis anos ocorre a separação definitiva dos pais. Elis resolve se mudar, com os filhos, para um apartamento no Jardim Europa na Rua Melo Alves. 
Perto de completar 7 anos, ele perde a mãe, e o Brasil perde uma das maiores cantoras que o país já teve.